Franca recebe documentos que contam a história do Brasil Colônia


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Denise Moura, do Centro de Documentação e Apoio a Pesquisa Histórica da Unesp: ficou mais fácil encontrar dados do império português
Denise Moura, do Centro de Documentação e Apoio a Pesquisa Histórica da Unesp: ficou mais fácil encontrar dados do império português
Até o início desse ano, professores ou alunos que quisessem pesquisar o Brasil Colônia em seus primeiros anos de formação eram, com freqüência, obrigados a buscar em Lisboa boa parte da documentação de que precisavam. A lacuna existente nas bibliotecas e arquivos brasileiros se explica pela concentração em terras lusitanas de tudo o que dissesse respeito à vida administrativa da Corte Portuguesa. Desde março, porém, não é mais assim. Quem recorre ao campus da Unesp de Franca terá grandes chances de encontrar o que está pesquisando sem a necessidade de cruzar o oceano. Aproximadamente 340 mil documentos relativos ao Brasil Colônia, distribuídos em 300 CDs, foram doados ao Cedaph (Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa Histórica) do campus local. O trabalho faz parte do projeto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Branco, realizado pelo Ministério da Cultura, que mobilizou pesquisadores brasileiros e portugueses de 110 instituições nos dois países. Iniciado em 1994, o trabalho resultou numa coleção inédita, com mais de três milhões de páginas sobre o cotidiano das 18 capitanias do Brasil entre os séculos XVI e XIX. Mesmo para quem está habituado ao trabalho de pesquisa e ao grande volume de material necessário à conclusão de um trabalho acadêmico se impressiona com a quantidade de dados, textos e imagens. “Hoje é possível compreender aspectos da administração portuguesa no Piauí do século 17, por exemplo. Não teríamos onde conseguir nada disso no Brasil’, disse a professora Denise Moura, do Cedaph. Cada Estado brasileiro arcou com parte do financiamento e a produção dos CDs e respectivos catálogos, o que, no final das contas, acabou fragmentando a coleção. Em São Paulo, apenas a Unesp de Franca, a USP e a Unicamp dispõem dos kits completos. Para Denise Moura, trata-se de uma coleção de valor incalculável não apenas para pesquisadores e estudiosos, mas para a comunidade em geral. Nos documentos do Arquivo Histórico Ultramarino (leia texto na página ao lado) é possível encontrar de tudo relacionado ao cotidiano da colônia, de detalhes administrativos da vida na colônia a coisas triviais como um comunicado de casamento. Segundo Denise, até a concretização do projeto Resgate, que ainda não está finalizado, a pesquisa acadêmica sobre fatos do Brasil colonial dependia da consulta aos arquivos portugueses, o que encarecia qualquer pesquisa. Além do entrave geográfico, pesquisar nos arquivos portugueses, ao contrário do que acontece no Brasil, não é uma tarefa tão doce. “Eles exigem o cumprimento de diversos procedimentos para que o pesquisador tenha acesso aos acervos”, disse Denise. “Com o material que temos em mãos, ao menos agora parte desse problema está resolvido”.

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