Documentos contam rotina do brasileiro


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Se você era daqueles alunos que fugiam das aulas de História no primário, não custa recordar. O Conselho Ultramarino foi uma das mais importantes iniciativas do governo português após sair do domínio espanhol (1580 a 1640). Criado em 1642 e vinculado à Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, o novo órgão era incumbido de todas as ações do reino em suas colônias, sobretudo no que dizia respeito aos negócios fazendários e de Justiça. A centralização dos assuntos coloniais no conselho dava segmento a um processo que se havia iniciado em 1549, quando foram criados os governos-gerais, que, por sua vez, chegaram para tirar a autoridade dos donatários das terras. Historicamente, a exploração de Portugal sobre suas colônias não foi acompanhada de um rigor documental, o que prejudica o trabalho de pesquisa, mesmo nos arquivos daquele país. Foi apenas em 1750, com a ascensão ao cargo do Marquês de Pombal, que um acompanhamento mais sistemático das colônias começou a ser feito, especialmente da menina dos olhos chamada Brasil. Em 1755, um terremoto, que destruiu três quartos das edificações de Lisboa, seguido de grande incêndio, forçou a coroa portuguesa a intensificar a relação com a sua colônia mais rentável, coisa facilitada pela enorme quantidade de ouro e diamantes que saía daqui. Nesse período, foi Pombal quem iniciou um processo de documentação mais eficaz, e que compõe grande parte do acervo doado à Unesp de Franca. Com isso, é possível conhecer relatos de nobres dirigidos aos governadores-gerais, e destes ao rei Dom João V sobre estratégias que seriam adotadas para combater índios hostis, comunicados de casamento feitos à corte, cartas atestando que a população estava se recusando a tomar determinado tipo de vacina e por aí adiante. O governo de Pombal duraria até 1777, mas o Conselho Ultramarino só seria extinto, por decreto régio, em 1833, 11 anos após a independência do Brasil. O projeto Resgate de Documentação Histórica Rio Branco deve, ainda, percorrer os arquivos da Franca, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha e Holanda atrás de documentos sobre o Brasil colônia.

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