Ano 2000, apenas 20 anos de idade. Angélica Perente Costa, 28, saboreava a juventude e estava cheia de planos. Com casamento marcado e ansiosa para viver ao lado do noivo, se viu obrigada a alterar os planos. Com fraqueza e manchas roxas pelo corpo, Angélica procurou pelo médico, e depois de exames, recebeu uma das notícias mais desesperadoras de sua vida: ela estava com leucemia, um tipo de câncer no sangue. “Achei que iria morrer. As pessoas que conhecia e tiveram câncer acabaram morrendo. Desesperei”.
A dona de casa se tratou em Ribeirão Preto. Na primeira internação, fez quimioterapia por 21 dias seguidos e perdeu todo cabelo em apenas uma semana. “Caiu tudo”, lembra. De 50 quilos, foi parar nos 38. Fraca, dependia que a mãe a carregasse no colo no primeiro ano de tratamento. “Achei que não voltava mais. Mas não desisti. O apoio dos meus pais, noivo e médicos me ajudou demais. A todo momento pedia proteção para Deus e Ele me curou”.
O câncer não escolhe idade nem sexo. Só em Franca, 1200 pessoas lutam contra a doença no Hospital do Câncer. O número é dez vezes maior do que o registrado no primeiro ano de atividades da instituição. Em 2002, eram 120 pacientes atendidos. Os números continuam crescendo. Até novembro de 2007, a cada 17 horas, um novo caso de câncer foi diagnosticado pelo HC (leia mais em texto ao lado). Os pacientes que passaram pelo susto e venceram a doença tornam-se verdadeiros exemplos de superação. Nesta reportagem, o Comércio conta algumas dessas vitórias.
Depois da tempestade, que durou três anos, Angélica comemora, além da cura da leucemia, outras vitórias. Está casada há três anos e é mãe de Raphael, 2, e Mariana, 1. “Foi um milagre eu ter sobrevivido e ter sido mãe. A quimio podia atrofiar meu útero”, disse.
Angélica mudou a maneira de viver. Cada minuto do dia ganhou outro valor na sua vida. “Quero aproveitar tudo que posso, amar minha família, beijar meus filhos e meu marido. Às vezes, diante de qualquer probleminha nos desesperamos. Depois do que vivi, percebi que tudo é possível”.
Depois de vencer um câncer no testículo, o vendedor Jair Lemes, 30, como Angélica, passou a aproveitar intensamente cada momento vivido. “Dou mais valor ao sol, à chuva, aos meus filhos, a tudo. Com a correria do dia a dia não vemos o que acontece ao redor. Não pode ser assim”.
Jair fez cirurgia para retirada do tumor e se tratou durante sete meses no Hospital do Câncer de Franca. Ele venceu. “Foi um choque quando descobri. Achei que fosse o fim, mas a vontade de viver era grande e senti que eu não tinha cumprido minha missão ainda. Estou muito bem”.
Maria de Fátima Chagas, 52, “viveu a sensação de pensar que chegou o fim” por duas vezes. A professora se lembra com detalhes da data em que recebeu a notícia de que teria, a partir daquele momento, de lutar contra um câncer no seio direito. Estava com 44 anos. “O câncer é um monstro na sua vida. Não é fácil, mas tem de ter fé em Deus, força e erguer a cabeça para a luta”, ensina.
Ela passou por sete cirurgias na mama num intervalo de três anos após o surgimento de dois tumores no mesmo seio, mas sobreviveu. “O médico falou que nasci de novo e só salvei minha vida porque fui rápida em descobrir que tinha algum problema na mama”.
O publicitário Luís Cláudio Bomfim, ao lado da mulher, recebeu com susto a informação de que a filha única, a Betânia, de apenas 4 anos, estava com câncer no rim direito. Para ele, dois momentos foram mais marcantes nessa fase. Foi quando soube do resultado do exame e depois da recuperação da filha com o tratamento no HC de Franca. “Ele analisou os exames após a cirurgia de retirada de todo rim com o tumor e disse: ‘sua filha está curada’. Ela viverá apenas com um rim”. A garotinha teve boa resposta ao tratamento.
Foram três meses entre tratamento e operação. Betânia foi vítima do chamado tumor de Wilms, que atingiu dez centímetros. “Ela nos surpreendeu”, disse o pai.
O oncologista Reynaldo José Sant’nna, do HC local disse que, de forma geral, as chances de vencer o câncer são de 70%. “Alguns tumores chegam a apresentar 95% de chance desde que o diagnóstico seja feito precocemente. Prefiro não falar em cura, mas em sobrevida livre de doença”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.