A manicure Carla Gabriela Cintra é bastante querida da classe das empregadas domésticas de Restinga. Todos os dias, ela “viaja” de Restinga a Franca para trabalhar em um salão no Centro de Franca.
Para percorrer o trajeto, enfrenta ônibus lotado. A primeira tentativa de fugir da superlotação foi voltar para casa em um ônibus da Prefeitura de Restinga que transporta os pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Foi barrada. Mas não desistiu e conseguiu o apoio das domésticas que enfrentavam o mesmo problema. De tanto reivindicar, conseguiu que a administração restinguense colocasse um ônibus voltado para elas. E o melhor, de graça.
De manhã, as domésticas vêm até Franca no ônibus da única empresa que faz a linha Franca/Restinga. No período da tarde, por volta das 16 horas, elas voltam no ônibus da Prefeitura. E o melhor, sentadas. “O ônibus (intermunicipal) estava sempre lotado. Aos sábados, quando voltávamos para casa, era ainda pior, já que muita gente aproveita o dia para fazer compras”, disse a doméstica Elizabeth Cintra.
Até a implantação do ônibus, as domésticas, que têm uma renda média de R$ 410 (piso da categoria), gastavam até R$ 184 mensais só com passagens. Como a maioria não trabalha no Centro da cidade, as trabalhadoras precisam pegar outro coletivo. “Já recusei muito serviço porque não tinha condições de pagar quatro ônibus”, disse Rosemeire dos Santos.
E não é só em Restinga que os trabalhadores têm transporte de graça. A Prefeitura de Pedregulho disponibiliza um ônibus para quem trabalha em Franca. Segundo o secretário de Transportes, Antônio Jacintho, o transporte é para todas as classes. As demais cidades da região não oferecem o serviço.
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