Restinga é uma cidade com pouco mais de 6 mil habitantes. Sem muitas opções de emprego no município, grande parte dos homens vai trabalhar na zona rural e as mulheres, em Franca. A maioria delas encontrou como alternativa o serviço doméstico. Segundo o Sindicato das Empregadas Domésticas de Franca e Região, das 4 mil associadas, mais de 250 são de Restinga - maior número entre as cidades da região.
Praticamente todo restinguense conhece alguém que trabalha como doméstica em Franca. Elizabeth Aparecida Cintra, 41, é uma delas. Para sustentar os filhos adolescentes, arrumou um emprego em Franca e não parou mais. Lá se vão 11 anos. Como não tem carro, precisa recorrer ao transporte público. Para chegar ao trabalho às 8 horas, precisa acordar bem cedo. Às 6 horas já está de pé e, às 7 horas, está dentro do ônibus intermunicipal junto com outras companheiras.
O ônibus está sempre lotado. Os 13 quilômetros que separam as duas cidades parecem ainda mais distantes. São, em média, 20 minutos de aperto. Para elas, o dia tem hora pra começar, mas não para acabar. Apesar de terem de lavar, passar, cozinhar e limpar a casa, numa rotina bastante cansativa, as domésticas não têm os mesmos direitos que a maioria dos trabalhadores. “Não temos direito a jornada de trabalho fixa e nem recebemos horas extras”, reclamou a doméstica Elizabeth Cintra. Sem alternativas, continuam no emprego e fazem de tudo um pouco. “Sinceramente, não é fácil. Pelo tamanho que está Restinga, era pra ter emprego para gente lá”, completou.
Apesar do trabalho sacrificado, a grande parcela reclama mesmo é do transporte (leia mais ao lado). Maria de Fátima de Morais não agüenta mais. “É cansativo pegar o ônibus todo dia, mas não há outro jeito. É com o dinheiro que ganho como doméstica que pago as minhas contas e faço a compra do mês”, disse ela, completando que outras mulheres da família que trabalham no mesmo ramo.
Não bastasse a rotina puxada, ao chegar em casa ainda tem os próprios afazeres domésticos. “Quando chego tenho muito a fazer na minha casa. O pior é que não tenho ninguém para me ajudar. Na casa só tem homens”, reclama Rosemary Ferreira, 33, que trabalha de segunda a sábado em Franca. O domingo é reservado para lavar roupa e fazer faxina na residência.
Segundo o Sindicato das Domésticas, o piso da categoria é R$ 410, salário mínimo nem sempre seguido pelos patrões. O órgão não forneceu à reportagem do Comércio o número de empregadas domésticas das demais cidades da região que trabalham em Franca.
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