Um lixão diferente


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Papelão, garrafas, latinhas, vidros, isopor e até resto de fiação. Pode não parecer, mas, enquanto muita gente não vê outra saída para estes materiais a não ser o lixo, outros ganham a vida com a separação deles, afinal, são recicláveis e, depois de uma boa “recauchutada”, podem ficar novinhos em folha. Em Franca, um serviço tem papel fundamental nesta transformação: a coleta seletiva de lixo, que existe desde 2003. Ela nada mais é que o serviço de recolhimento e tratamento de materiais que podem ser reutilizados, o que, além de economizar espaço nos aterros sanitários, preserva os recursos naturais como as árvores, que precisam ser cortadas para a fabricação de papéis (em média, 20 árvores para mil quilos de papel). Em Franca, o serviço é dividido entre pelo menos três órgãos. O primeiro deles é a Colifran, que presta serviço para a Prefeitura na coleta do lixo. A empresa recolhe cinco toneladas de recicláveis por dia. “A coleta seletiva é feita de porta em porta. O material coletado é transportado por nossa empresa até a usina de reciclagem”, disse a auxiliar administrativa da Colifran, Carina Cristina Galvão. Para a fase de triagem e enfardamento dos materiais, estão recrutados os membros da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Franca e região e a Pastoral do Menor, que são encarregados da separação do “lixo” por tipo, cor e qualidade e por embalar os materiais para que sejam estocados. “Depois disso, a gente vende todo o material para empresas que o utilizam como matéria-prima na fabricação de embalagens ou qualquer outra coisa”, disse a secretária da Cooperativa, Francislene Costa Alves, 20. O mercado para este tipo de produto vem crescendo e os cooperados comercializam hoje produtos para a própria cidade e até para cidades vizinhas como Ribeirão Preto. O valor das vendas varia de acordo com o peso e categoria dos produtos. Eles vão desde os mais “baratinhos”, como é o caso do vidro, vendido por apenas R$ 0,02 o quilo, até aqueles que os cooperados chamam de “materiais finos”, que, no caso, são latinhas de alumínio e fios de cobre descascados que chegam a custar R$ 2,70 e R$ 11 o quilo, respectivamente. No total, mais de 60 pessoas entre motoristas, coletores e monitores de descarga estão envolvidas. Elas trabalham 44 horas semanais. Alguns têm um salário fixo de mais de R$ 500, além de taxa de insalubridade e benefícios como cesta básica, e outros recebem de acordo com as vendas. Mesmo com tanto trabalho, a coleta começa mesmo em casa. “Acredito que mais de 50% da população da cidade já entendeu a importância deste trabalho e contribui, mas sempre é bom contar com a ajuda de mais gente”, disse o secretário de Desenvolvimento Humano, Roberto Nunes Rocha. Roberto preferiu não se arriscar a dizer quanto esse projeto economiza. Para ele, o que vale é o investimento na possibilidade de uma cidade consciente e com baixos índices de desperdício. “Qualidade de vida, esse é o lucro”. Para que a população faça a sua “lição de casa”, existem alguns projetos na cidade, como Projeto Cidade Limpa, Recicle e Cidadão Consciente, que incentivam a separação do lixo.

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