Entender pode fazer diferença


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A reunião prossegue. São tratados ali assuntos que remetem os integrantes a períodos de intensa discussão e silêncios prolongados. A porta se abre e irrompe a secretária. Toda a concatenação de pensamentos se quebra a partir do som impressionantemente alto dos saltos de seus calçados no chão de madeira. Percebe-se cada passo pelo som produzido. Lá vem ela. Lá vai ela. Não pode... Você sabe o que é Protocolo e Cerimonial? Ciências. Ciências criadas pelo homem que tem de viver em comunidade e que precisa, a todo momento, gerenciar a vaidade própria, conviver com a vaidade do outro e fazer as coisas de modo a não ofender ninguém. Nem mesmo correr risco. O conjunto das normas de elegância, boas e educadas falas, estilos de vestuário, cuidados com a imagem e o gesto, de anfitrionismo – como convidar, como se preparar para receber, como receber, como formalizar o cenário adequado para agradar ao visitante, como transformar o ato de receber em ação adequada e inesquecível –, integram-se no que se convencionou chamar de regras de protocolo. E isso não só aqui em volta de mim ou aí, em torno de você, mas no mundo inteiro. A coisa é tão séria que as nações cuidam de praticar as mesmas regras, para que o que serve cá no Brasil não seja diferente no Butão, situado na Ásia, ou na Sibéria, cravada na Rússia. Também é preciso dizer que há, sim, pequenas traquinagens, embasadas nos usos e costumes dos povos, que podem significar adaptação de normas, mas não desrespeito às convenções aceitas em todo o mundo. Um exemplo? Jamais estenda a mão a um empresário japonês da gema. Ele pode não retribuir o gesto preferido dos brasileiros e se safar com um meneio de tronco e cabeça, forma nipônica de revelar respeito a um interlocutor. Ah! Em tempo: também não converse com ele tocando-o e jamais, jamais, o abrace. O caloroso toque de pele brasileiro é liberdade demais na cultura japonesa. Sabe o segredo? A gente tem que se preparar para praticar bom protocolo. Conhecer antes com quem vai se encontrar resolve metade do problema. A outra metade se resolve com preparação cultural adequada. Cultural? Sim. Compreender as diferenças e aceitá-las depende de muita leitura e preparação. E o que é Cerimonial? É a prática das ações protocolares. Não importa se você estiver com a namorada, o grupo de amigos, na reunião de trabalho, na igreja, na competição esportiva, a forma com que você se porta é ação cerimonial. Andar sem roupas em público contraria as normas sociais do ambiente em que você vive, mas você poderia andar sem roupas em outro lugar público? Certamente. Basta escolher locais em que tal ousadia pudesse ocorrer: uma praia de nudismo? Uma aldeia indígena? Sua casa? Trocando em miúdos: há convenções para tudo e isso se repete em todo o mundo. Estas normas gerenciam as relações internacionais. As mesmas normas são adaptadas para Estados, municípios, entidades governamentais, empresas, instituições, pessoas. As mesmas regras. As mesmas formas de praticá-las. A vaidade humana sobrevive disso. SALTOS QUE RESSOAM À secretária do início do texto: quando ingressar em ambientes onde trabalham pessoas concentradas, tente passar despercebida. Não jogue o peso do corpo nos saltos. Desloque-se na ponta dos pés. EM MEIO A TANTOS Em qualquer situação o anfitrião é a figura mais importante. E quem é o anfitrião? É o dono da casa. Aquele que recebe. Aquele que deu origem à ocasião em que você está. Não houvesse a motivação dada por ele, não haveria o próprio encontro. As outras pessoas, inclusive governadores (menos o presidente da República) não têm preferência sobre ele. LIMPA-TRILHOS Pronto. Um pedaço de alimento acaba de ficar preso entre dois dentes. Sem problemas, pois o palito está aí para isso mesmo, mas não o use em público. Se não houver outro jeito, pegue-o e vá ao sanitário. E, aproveitando o assunto: nunca diga “estou cheio”, “estou lotado”. Diga “estou satisfeito”. FOCO O foco principal é de quem está à sua frente, se você aceitou conversar. Se o telefone tocar, não atenda. A não ser que tenha avisado seu interlocutor que estaria à espera de uma ligação importante. Afora isso, não atenda! CONVITE PESSOAL Pessoal, você sabe, significa individual. Se resolver aceitar um convite pessoal não leve a namorada, ou a mulher, ou o marido, e/ou os filhos. E mais: se achar a sigla “RSVP”, ligue para confirmar que vai. A sigla quer dizer: “avise-me se você aceitar meu convite e me permita preparar-me para bem recebê-lo”. Ou, simplesmente, “Répondez S’il Vous Plaît”. MÃO À BOCA... Em nossa cultura, colocar à mão à boca enquanto fala com alguém significa “troca de confidência”. Em ambientes públicos, mão à boca e fala baixa pode significar que você confidencia a alguém fatos desabonadores sobre outras pessoas. Trocas de olhares furtivos também identificam a mesma situação. CUIDADO! Não se esqueça. Há pessoas que lêem e interpretam com facilidade os gestos e são capazes de compreender mensagens inteiras a partir da observação do gestual que você usa. Grandes amizades e negócios ruíram assim.

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