Vereadores vão denunciar ‘mensalinho’ ao MP


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Luiz Carlos Fernandes (PSDB, à esquerda) cochicha no ouvido de Gilson Pelizaro (PT) em sessão da Câmara Municipal realizada em outubro: polêmica sobre mensalinho da terra divide opiniões de vereadores
Luiz Carlos Fernandes (PSDB, à esquerda) cochicha no ouvido de Gilson Pelizaro (PT) em sessão da Câmara Municipal realizada em outubro: polêmica sobre mensalinho da terra divide opiniões de vereadores
Os vereadores petistas Gilson Pelizaro e Silas Cuba vão denunciar o “mensalinho da terra” ao Ministério Público. De acordo com eles, a prática é “criminosa e ilegal” e requer apuração imediata do MP. “Vamos representar, se possível, na segunda-feira. Esse tipo de episódio mancha a Câmara”, disse Pelizaro. O suposto esquema consistiria na liberação, por parte da Prefeitura, de até cinco caminhões de terra por mês para cada vereador distribuir às pessoas que solicitam o produto a eles. Em contrapartida, os parlamentares teriam de votar favoravelmente nos projetos de lei do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) enviados à Câmara. Rocha nega a existência do mensalinho (leia mais no intertítulo). Na prática, a negociação envolveria valores pequenos. Cada caminhão, carregado com seis metros cúbicos de terra, custa R$ 40. Levando-se em conta os 13 integrantes da base governista, o “mimo” não custaria mais que R$ 2,6 mil. “Se realmente isso se confirmar, significa que tem vereador custando muito barato”, ironizou Pelizaro. A afirmação de que a prática existe foi feita espontaneamente - e aparentemente sem querer - pelo vereador Luiz Carlos Fernandes (PSDB), aliado de Rocha, na quinta-feira, durante a gravação de um especial de fim de ano na rádio Difusora. “Sabe qual a cota (de terra) para cada vereador? São cinco caminhões por mês”, disse. A naturalidade de Fernandes, porém, não foi encontrada em outros vereadores consultados sobre o assunto. Questionados sobre as declarações do tucano e a suposta existência do esquema, todos se esquivaram. “Comigo não tem isso não. Faço o ofício e entrego direto na Secretaria de Obras”, afirmou Maurício Chináglia (PSB) “Se tiver cota, eu vou querer a minha”. Zezinho Cabeleireiro (PTB) deu versão semelhante. Disse que todo o processo tramita normalmente, com indicação aprovada na Câmara. O diferencial é Zezinho que confirmou os pedidos, que são limitados, embora sua “cota” seja diferente da apontada por Fernandes. “Eles não liberam muito não. É na base de uns dez caminhões por mês”, disse. “O problema é que demoram até um ano para entregar”. NEGATIVA Sidnei Rocha negou que haja negociações envolvendo votos e caminhões de terra. De acordo com ele, via e-mail, “todas as pessoas pobres podem ter terra na Prefeitura, seja diretamente, através de secretários, através de vereadores ou por cartas”, afirmou, sendo incisivo ao negar que a terra funciona como uma moeda de troca. “Não. De forma nenhuma”.

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