“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”
Assim, Oscar Niemeyer que completa 100 anos de vida hoje, o mestre que humanizou a arquitetura, define seu trabalho. Não é preciso ser especialista para comprovar sua genialidade. É impossível ver alguma obra dele, nem que seja por fotografia, e não ter algum sentimento despertado.
Niemeyer colocou poesia e curvas na paisagem de cidades brasileiras e de fora do País. Seu centenário provocou uma onda de homenagens em todo o mundo, mas o arquiteto parece não ligar muito. “Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela”, disse o arquiteto, ao receber a medalha Comendador da Legião de Honra, a mais importante homenagem do governo francês, em seu escritório em Copacabana, na quarta-feira.
Autor de obras que fazem parte do cotidiano de muita gente e dos folhetos turísticos de várias cidades brasileiras, como o conjunto do Parque Ibirapuera e o Copan (em forma de onda), em São Paulo, a Pampulha, em Belo Horizonte (MG), e todo o projeto de Brasília (Catedral, Palácio da Alvorada, do Planalto etc.), Niemeyer ganhou, em 1988, o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial, pelo conjunto de sua obra. Nessa época, outros projetos importantes de sua autoria ainda não haviam sido concluídos, como os museus Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o de Arte Contemporânea de Niterói (RJ).
Comunista histórico, também ganhou uma homenagem em Cuba, cujo regime socialista liderado por Fidel Castro sempre foi elogiado pelo arquiteto. A escultura desenhada pelo carioca fica em Havana. Tem cerca de oito metros de altura e exibe um cidadão empunhando a bandeira cubana em combate com uma figura monstruosa (que simboliza os EUA).
Aos 100 anos continua ativo, com os mesmos hábitos. “Trabalho o dia inteiro, depois do almoço até a noite. Foi assim a vida inteira”, diz. Entre seus atuais projetos está o Centro Cultural Internacional Niemeyer de Avilés, sua primeira obra na Espanha. Ele também comandará em 2008 a reforma do Palácio do Planalto.
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