A demarcação conceitual sobre o valor da vida humana, quando não respeita os limites da sacralidade, pode constituir criminosa invasão de competências.
A sacralidade da vida humana removida do centro das discussões, reduzida a teorias utilitaristas e individualistas, é uma séria ameaça a banalização da vida humana.
O tema da Campanha da Fraternidade 2008, Fraternidade e Defesa da Vida, cujo lema é “Escolhe, Pois, A Vida” (Dt 30,19),coloca diante da sociedade as questões que se opõem à vida, do nascer ao morrer. Homicídio, genocídio, aborto, eutanásia, suicídio voluntário, condições de vida infra-humana, mutilações, tormentos corporais e mentais, abuso sexual e moral, comércio e prostituição de mulheres e crianças, condições desumanas de trabalho, e demais crimes que têm desfigurado a face bonita da humanidade.
Santo Agostinho diz: ‘nunca é licito matar o outro: ainda que ele o quisesse, mesmo se ele o pedisse (...), nem é licito sequer quando o doente já não estivesse em condições de sobreviver’. Uma das formas mais comuns de morte que a sociedade tem enfrentado é, sem dúvida, a omissão social frente ao sofrimento dos excluídos. Perversas, também, têm sido as muitas teorias que desconsiderando a sacralidade e autoria da vida, atendem a interesses que visam unicamente o fato da utilidade ou conveniência da manutenção da vida, a pessoas que se encontram na etapa final de sua existência.
No ano de 1976, em New Jersey nos Estados Unidos, um caso abalou o mundo e trouxe à baila a polêmica discussão do momento decisivo da terminalidade da vida. A jovem Karen Ann Quilan encontrava-se conectada a um equipamento que lhe permitia respirar e viver, em razão de uma doença de etiologia desconhecida, presa a um quadro conhecido como ‘estado vegetativo persistente’, ou coma. Seus pais adotivos em desespero pleitearam na justiça o direito de acabar com o sofrimento, argumentando ser esse o seu desejo manifesto ainda em vida. O médico que a assistia se negara a proceder ao desligamento dos aparelhos, posto que, seu estado não caracterizaria morte cerebral. A prudência da Justiça solicita do Hospital Saint Clair a convocação de uma comissão especial de ética, a quem caberia a competência de formular o prognóstico esperado para concluir a sentença. A equipe deveria comprovar que ela jamais voltaria ao ‘estado cognitivo consciente’, ou seja, não teria condições de se relacionar com as pessoas e o meio.
Decretada sua morte, os aparelhos foram desligados, porém, a jovem viveu por mais 09 anos, respirando normalmente, muito embora, sem melhoras neurológicas, a sacralidade da vida foi confirmada.
O livro O morrer humano, de autoria do professor de Teologia Moral, Carlos Zuccaro, traz considerações sobre a redescoberta da tradição hipocrática, como raiz humanista da medicina. O Direito passa a negar essa raiz a partir do momento em que a jurisprudência não se mostra prudente, no julgar e defender a morte como direito de escolha.
Mecanismos científicos igualmente imprudentes são disponibilizados para: matar (aborto) ou morrer (eutanásia, suicídio voluntário), muitos a serviços de outros interesses. São como frutos da Árvore do Bem e do Mal, o perigoso arbítrio dos homens.
MORTE CEREBRAL, RESPIRA FUNDO!
A conceituação da morte tem sido um tema extremamente aguçado para os estudiosos. Ao contrário do que supõe o senso comum, muitas vezes a fronteira que separa a vida da morte é uma linha difusa e difícil de estabelecer, especialmente em relação a critérios que possam se deslocar sem maiores dificuldades à prática médica cotidiana. Especialistas têm atribuído à alta tecnologia e os avanços da medicina nas últimas décadas do século XX, aos complexos questionamentos sobre a conceituação da morte.
O respirador veio na década de 50 com a epidemia da pólio, constituindo-se em dos principais gatilhos na busca de critérios para definir em um dos temas mais aguçados para a ética biomédica. Os transplantes do coração (Dr. Barnard, 1967) e a necessidade de contar com esses órgãos, estabeleceram a pergunta: “Quando é razoável deixar de tratar uma pessoa conectada a um respirador?”
BIOÉTICA, QUE ÉTICA É ESSA?
Surge esse conceito como disciplina da ciência, no pós-guerra. Na segunda Guerra Mundial o mundo inteiro assistiu perplexo, um dos maiores horrores da história, o holocausto. Uma parceria perversa entre política e ciência resultou no extermínio de milhares de pessoas. Em nome de uma raça pura a ser criada em benefício da humanidade, foram escritos códigos (sic) a serviço das práticas abusivas de médicos nazistas. A não repetição desse comportamento é a base da construção filosófica dessa nova disciplina, que renasceu das cinzas do Holocausto como Phenix. A Bioética, como facilitadora do processo de retorno do homem ao centro da ciência, é o redesenho dessa velha nova ética. O progresso da ciência precisa ser monitorado para que o homem não perca a centralidade, acompanhando as consciências sobre os seus reais e efetivos efeitos para a humanidade.
PAUSA PARA O CAFÉ
Dom Frei Caetano, Padre Brentini e José Roberto são responsáveis pelo grande encontro ‘Fraternidade em Defesa da Vida’, que começa hoje às 19h30, no Mosteiro de Claraval. Eles vêm chegando de uma grande tribulação. Muitas pessoas deixarão seu universo pessoal por três dias, a fim de escutar e celebrar a ética de todas as éticas, Jesus Cristo! Café com gosto de Maranathá, adoçado de sol, acompanhado de pequeninas bolachas de estrelas da manhã!
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