A polêmica sobre o que fazer para que o trânsito de Franca pare de ferir, mutilar e matar tem crescido. Talvez não nos refrigerados gabinetes de nossos homens públicos, mas certamente nos lares onde vítimas, parentes e amigos têm suas vidas dramaticamente modificadas por conta de um desses acidentes, certamente muito se tem comentado sobre o que fazer para dar um basta a tanto sofrimento.
O argumento de que os acidentes acontecem por irresponsabilidade dos motoristas não traz alívio aos feridos e mutilados, muito menos conforto aos que perderam seus entes queridos.
Crer que motoristas e pedestres aprendam a respeitar as regras de segurança no trânsito à custa de tanta dor e de tantas mortes não me parece ser o método mais digno, mais humano, mais cristão de se exercer cargos públicos. O que fazer? Como fazer? Será que ninguém tem uma boa idéia?
Preocupado com isso decidi realizar uma pesquisa por conta própria.
Numa busca rápida na Internet é possível identificar uma centena de textos nos quais os dados apontam para possíveis soluções. Decidi colar aqui alguns exemplos: “Os índices de acidentes de trânsito em Rio Claro caíram cerca de 20% desde a instalação dos quatro primeiros radares na cidade, há pouco mais de três meses”. “Os trechos onde foram instalados os 11 radares em São Vicente tiveram os índices de acidentes praticamente reduzidos a zero...’. “Mauá diminui acidentes com radares e lombadas”. “Radar irrita, mas também reduz acidentes em Atibaia. O atual índice de acidentes de trânsito na cidade é menor do que o registrado nos últimos três anos”. “Estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) afirma que a implantação dos radares eletrônicos reduziu em pelo menos 1,5 mil o número de mortes no trânsito, por ano, no Brasil. Segundo o levantamento, quando os equipamentos são colocados corretamente (nos locais em que existe maior perigo), há uma diminuição de 30% dos acidentes e de 60% do número de mortes”.
Especialistas e estatísticas demonstram que são necessárias políticas públicas efetivas para se combater a guerra do trânsito. Prefeito, vereadores, secretários e órgão de segurança pública precisam agir corretiva e preventivamente. Mas, por que não o fazem? O que falta?
Falta dinheiro? Falta tempo? Faltam motivos? Falta inteligência? Falta boa vontade? Falta compaixão? Falta sentir na própria pele a dor de um acidente desses? Falta perder um ente querido?
Nada disso. O que falta é humildade. Afinal de contas muito mais difícil do que se ter uma boa idéia é ter a humildade de reconhecer que a boa idéia é de outra pessoa.
ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integra do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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