Assassino é recebido com chuva de pedras


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Investigador da DIG empunha espingarda e fica de pron-tidão em frente a casa em que o assassinato era recons-tituído: forte esquema de segurança no local
Investigador da DIG empunha espingarda e fica de pron-tidão em frente a casa em que o assassinato era recons-tituído: forte esquema de segurança no local
Cinco policiais armados, duas viaturas, rua fechada. A Polícia Civil armou um forte esquema de segurança para reconstituir o assassinato de Tiago da Silva Pinto, 20, morto por um viciado há uma semana por ter cobrado uma dívida de drogas. Havia o risco de uma reação violenta por parte de amigos da vítima. O reforço mostrou-se providencial. Uma chuva de pedras marcou a encenação do crime no Jardim Santa Bárbara ontem à tarde. Na tarde de quarta-feira, 5, Tiago foi até a casa de Wendel Ribeiro Beraldo, 19, o “Alemãozinho”. Havia vendido R$ 300 em crack e o viciado relutava em pagar. O credor recebeu 20 facadas, quase foi degolado e morreu tombado sobre o sofá. O autor fugiu e se apresentou à Polícia logo em seguida. Responde ao processo por homicídio em liberdade. Temendo represálias, “Alemãozinho” deixou o bairro com a família. Dois dias depois, a casa em que morava foi incendiada. Só voltou ao bairro ontem sob escolta policial. Em poucos minutos, dezenas de populares se aglomeraram nas proximidades. Alguns se amontoaram em um muro nos fundos da casa em que a reconstituição era realizada. Duas viaturas da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) foram colocadas atravessadas na rua para impedir o tráfego de veículos. Policiais empunhando pistolas, espingardas e metralhadora ficaram de prontidão para evitar que alguém mais exaltado se aproximasse. Não demorou para que um pedaço de tijolo vindo de local incerto caísse a três metros do delegado Wanir José da Silveira Júnior. Dentro da casa, Wendel mostrava aos peritos como foi o crime. [FOTO2] Repetiu basicamente o que havia dito ao Comércio no dia: teria sido surpreendido por Tiago, que o cobrou e fez ameaças. Pegou uma faca e golpeou até perder as contas. Sorrindo e sem aparentar abatimento, contou como foram os golpes finais com a vítima já caída no sofá. “Ao vê-lo se remexendo, falei: tá vivo ainda. Daí, peguei a faca e fiz assim (gesticula que passou várias vezes) no pescoço dele”. Após o crime, saiu na rua, gritou que havia matado o “cara” e voltou para casa. Tirou a bermuda que usava e colocou uma calça. Só depois fugiu para se apresentar à Polícia. Ontem, “Alemãozinho” não teve a mesma tranqüilidade. Uma chuva de pedras e tijolos impediu que deixasse a residência ao fim da reconstituição. Voltou correndo para dentro até que a situação se acalmasse. “Depois deste susto, nem tenho o que falar, não”, alegou no início da entrevista à reportagem. Ninguém se feriu.

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