O que salva é a política


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Recentemente, analistas da política venezuelana constataram a dificuldade da oposição firmar um discurso, devido ao fato de que nenhuma plataforma política será viável se não tiver um forte viés no social. E o social foi empalmado por Hugo Chávez. A recente pesquisa CNI-Ibope mostrou a mesma coisa. No quesito intitulado “o que os brasileiros esperam de Lula em 2008”, deu os seguintes pontos: 1. 43% Melhorar o salário mínimo 2. 36% Melhorar as áreas de Saúde e Educação 3. 32% Combater a criminalidade 4. 21% Reduzir os impostos 5. 14% Controlar a inflação 6. 11% Ampliar os programas sociais, como o Bolsa Família 7. 11% Ampliar os programas de habitação / moradia popular 8. 10% Reduzir os gastos públicos Não fosse esse poder da política, jamais haveria força capaz de romper o círculo de atraso-juros imposto pela financeirização da economia. A lógica da financeirização é cruel. O objetivo único é garantir a solvência nas contas internas. O tamanho dos juros não é dado pelas expectativas de inflação - como se apregoa -, mas pela capacidade de gerar superávit. É batata! Se o País puder pagar 30 de juros, a taxa Selic será calibrada para que pague 30 - independentemente dos demais fatores da economia. Se puder pagar 20, calibra-se para 20. Toda a parafernália teórica brandida por cabeças-de-planilha, fundadas em clichês que sempre se repetem, visa meramente conferir um ar supostamente científico a demandas eminentemente políticas e anti-sociais. É um jogo de cena fantástico! Quando foi aprovado pela primeira vez o IPMF (precursor da CPMF) a promessa era de que todos os recursos se destinariam à Saúde. Era balela! O governo FHC mandou o IMPF para a Saúde e descontou, do orçamento, o valor correspondente. O resultado foi que a carga tributária aumentou, mas os repasses para Saúde continuaram do mesmo tamanho. Depois disso, foram anos e anos de DRU (Desvinculação de Receitas Orçamentárias) que retiraram recursos da Saúde, da Educação, da área social para destinar ao pagamento de juros. No primeiro governo FHC, os juros criaram uma dívida interna monumental. O mercado considerou que a dívida foi criada porque o governo foi fiscalmente irresponsável. Qualquer analista sério diria que a irresponsabilidade estava nos níveis de juros. Para os cabeções, a irresponsabilidade estava em não cortar de outras áreas o suficiente para bancar o nível de juros. O segundo governo FHC foi um deserto, um desastre continuado, com redução de verbas para todos os programas relevantes, manutenção da DRU, contingenciamento orçamentário. Mas é saudado como um governo responsável... porque os credores da dívida pública não correram risco de não receber os juros absurdos oferecidos. Esse mesmo modelo prosseguiu no primeiro governo Lula. O resultado de três gestões irresponsáveis foi a queda da qualidade da Educação, Saúde, o desmonte da estrutura viária, a falta de investimentos em energia, logística. Essa camisa-de-força só foi rompida recentemente com o PAC, ao definir que as obras ali incluídas estariam a salvo do contingenciamento, e ao colocar meio ponto percentual do PIB fora do cálculo de superávit fiscal. Avançou-se. Mas os juros continuam consumindo a parte mais expressiva da arrecadação tributária. TELEFONIA A Telefônica anunciou ontem um serviço que soma acesso à internet rápida, serviços de voz e programas de televisão via satélite. O produto ainda não tem um nome e será lançado no início de 2008 a um preço mensal de cerca de R$ 500. O lançamento só foi possível porque a Telefônica obteve uma licença da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para transmitir a programas de televisão via satélite. “Somos os primeiros a conseguir essa autorização”, afirma Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica. Esse serviço já conta com 450 mil assinantes na Espanha. A programação da Telefônica contará com todas as emissoras da TV aberta. GASODUTO O BNDES aprovou ontem financiamento de R$ 2,49 bilhões à Petrobras. Os recursos são destinados à construção do gasoduto Coari-Manaus, no Amazonas. O empréstimo foi tomado pela Transportadora Urucu-Manaus, sociedade de propósito específico criada pela Petrobras para construir o gasoduto, que terá 383 km de extensão. O objetivo do duto é, num primeiro momento, suprir a cidade de Manaus de gás natural destinado à geração de energia elétrica. Atualmente, a capital é atendida por térmicas a óleo combustível, que serão convertidas para gás.

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