Um natal bem brasileiro


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Os períodos natalinos sempre nos trazem à lembrança momentos marcantes na nossa vida. Sem dúvida é na nossa infância que ficam as marcas mais significativas desta fase da nossa jornada, passagens essas que, todos os anos retornam ao pensamento, fazendo-nos reviver aqueles momentos, alguns felizes, outros nem tanto, mas que continuam a povoar o nosso consciente e a influenciar o nosso estado de espírito nesta especial fase do ano. Ao lembrar-me desses bons tempos de criança, o que me comove é a inocência que tomava conta de nós pequenos, que vivíamos num mundo de fantasia. Era uma época realmente mágica em que eu acreditava em Papai Noel, o que tornava meu Natal ainda mais colorido, acreditava em conto de fadas, tinha amigos imaginários, brincava livre pela rua, corria na chuva... Com o passar dos anos cheguei ao entendimento de que Natal deveria ser todo dia: começando no nosso lar, atingindo o trabalho, contagiando amigos, mobilizando o rico e o pobre. Mas esse mundo mudou muito. O Natal, na verdade, é uma celebração aceita pelo imaginário universal, mas os ornamentos que lhe dão forma e significado são eurocentristas. Às vezes me pergunto: por quê o brasileiro, transgressor por necessidade e natureza, nunca aproximou o Natal dos trópicos? Algumas propostas poderiam contribuir para salpicar na próxima ‘festa máxima da cristandade’ pitadas de criatividade à brasileira. Comecemos pela mesa de Natal. O peru, o champanhe e o panetone poderiam conviver harmoniosamente com a carne seca, a cachaça e o bolo de fubá. Um paladar não excluiria o outro, só o aproximaria de nossa realidade. Vamos mencionar outro sustentáculo da festa, a sua trilha sonora. Por que não injetar um pouco de samba, forró e um chorinho nas cadências do Natal? A noite poderia até ser mais feliz. Já o Papai Noel, essa rotunda figura, não precisa suar bicas nesta época quente do ano. Vista-se no homem bermuda, camiseta e chinelos de dedinho, já que aqui é verão. Nada de barba comprida. Trenó nem sonhar! Afinal, pra que, se nem neve nós temos? Esse arroz de festa da criançada não precisa ser também gordo. Olhem lá se isso não é um estímulo à obesidade dos pequenos, ante um modelo assim tão ostensivo. Nunca pensaram nisso? O bom velhinho nem precisaria descer de helicóptero nos shoppings, poderia chegar de carroça, por exemplo, ou quem sabe num fusquinha, ressuscitado que foi pelo Itamar, lembram-se? E distribuir presentes: empregos, saúde, escolas, recuperação da Praça da Estação, uma solução definitiva para o Córrego dos Bagres, o fim dos desabrigados, da violência no trânsito e o não à corrupção. A cor do Natal também não deve ser vermelha, num país notadamente verde e amarelo. Verde pela riqueza natural que nos circunda, e amarelo pelo sufoco do dia a dia. E a árvore de Natal não precisa ser um pinheiro. Convidemos o extraordinário pintor francano Hélio Tasso para desenhar a árvore desse Natal, quem sabe um resistente pé de jaca, uma farta jabuticabeira ou uma frondosa mangueira. E que todo dia seja Natal, e não somente numa data marcada de vermelho no calendário. Que um sino possa tocar bem lá dentro do coração da gente, anunciando uma festa de amor, de compreensão e de paz. E que o nosso Natal seja feliz... bem brasileiro! DITADURA BANCÁRIA O governo anunciou na semana passada decisões do Conselho Monetário Nacional que alteram regras na cobrança de tarifas praticadas pelos bancos no Brasil. Essas mudanças, porém, só vão vigorar a partir de maio do ano que vem. Até lá, o sistema bancário pode continuar assaltando o cidadão com a cobrança ilegal de taxas e mais taxas. É o que já se convencionou chamar de “a ditadura dos bancos”. Não é à toa que se diz em qualquer bate-papo da Praça Barão, em Franca, que o cidadão, ao entrar num banco, paga até o ar que lá se respira. SIMANCOL Os candidatos a vereadores e a prefeito vão surgindo em Franca já nesse final de ano e alguns até pedem votos nas ruas. Pessoas sem as mínimas condições para candidatar a nada deveriam, isto sim, tomar um “simancol”, ao invés de apregoar seus nomes como possíveis candidatos. Tudo é farofa: com um sopro desaparecem. SUFOCO A coluna apurou junto a alguns empresários, que a maioria está passando verdadeiro sufoco neste fim de ano para fazer face aos compromissos naturais do período. O problema maior, disse um deles, é a inadimplência que está assolando o País, fato que poderá chegar a um gargalo sem precedentes, além da desastrada política de juros do governo. POSITIVO É tempo de celebrações, mas também de recriminações, pois a alma dos brasileiros acumulou mágoas demais durante o ano. Entretanto, e apesar deste suplício, resta-nos continuar pregando a profissão “Esperança” de que no próximo ano tudo seja melhor e mais positivo para Franca, para todo o Brasil. Enfim, os brasileiros merecem. NEGATIVO Queiram ou não, a verdade é que o trânsito em Franca continua desorganizado. Em determinados setores, evidencia-se a vontade em atender a interesses de organismos particulares, principalmente colégios, em detrimento ao movimento automobilístico que cresce a cada dia, contribuindo dessa forma para que em certos horários o trânsito se torne insuportável. Cabe a Prefeitura colocar o seu departamento de engenharia em ação e estudar normas que solucionem, de vez, a questão. RISCANDO MAMÃO O empobrecimento da população brasileira pode ser constatado quando você vê o desempregado riscando mamão para poder tomar o leite.

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