Hora da faxina


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Se para muitos fazer compras já é uma terapia, imagina às vésperas do Natal. Com o 13º salário no bolso e as promoções na vitrine, muita gente se empolga e até esquece que, em casa, o guarda-roupas já está entupido de roupas, calçados e acessórios. Para dar um fim nas traças, desocupar espaços e até renovar energias, que tal fazer aquele “limpa” no armário? Mas cuidado, afinal, para se desfazer de seus pertences é preciso coragem e atitude. E para não se arrepender, fique de olho nas dicas que o Se Liga preparou para você. Na hora da “geral”, o segredo é começar pelas roupas que, há tempos, não te servem mais. As peças que você já está de saco cheio de tanto usar também entram nessa lista, assim como aquelas que já não fazem seu estilo. “Eu usava muito verde, agora não posso mais ver esta cor na minha frente. Tudo que era verde eu doei. Não era mais a minha cara, não tinha mais a ver comigo. O que não combina mais com a gente não vale a pena guardar”, disse o diretor do curso de Moda da Unifran (Universidade de Franca) Julius Pimenta. Sentir dó também só atrapalha. “Roupas que você comprou na empolgação, usou pouquíssimas vezes ou nem chegou a experimentar, desista. Você não vai mesmo conseguir usar”. Alguns acessórios, como os cintos, podem voltar a fazer sucesso, mas, de acordo com Julius, isso não é motivo de preocupação, afinal, no mundo fashion, tudo que vai volta, mas completamente estilizado. “Não compensa ficar guardando, mesmo porque o que acontece não é a volta da peça, é uma reutilização da idéia com a cara de hoje. Você não vai usar uma peça dos anos 80 a menos que você queira parecer que está fantasiada”, disse Julius aos risos. Para a designer de moda Lila Junqueira, as pessoas não precisam ter mais do que cinco calças jeans no guarda-roupas. “Sempre que você comprar duas, dê uma”. Para ela, as estampas que estiveram em alta em determinada estação, como a floral da marca Osklen e os gatinhos da Cris Barros este ano, também não devem permanecer nos armários por muito tempo. “Se a estação já estiver acabado, elas vão entregar que a pessoa está fora de moda”. Outra coisa que, para Lila, é inaceitável é reaproveitar roupas “surradas” para quebrar galho em outras ocasiões. “A gente tem que estar bem vestido a toda hora. Se a roupa não estiver nova, mas em condições de uso, o ideal é doar. Caso contrário, jogue fora, mas usar para ir à academia, piscina e até ficar em casa não dá”. Mas, os especialistas garantem que, ao doar uma roupa, pessoas indecisas têm mais chances de se arrepender, por isso a primeira dica é não se desfazer de objetos que tenham valor sentimental. “Roupas ou qualquer outra peça que traga lembranças devem ser preservadas porque fazem parte da vida da pessoa”, disse Julius. É o caso da biomédica Maíra Essado Bertoni, 28. Ela segue a orientação e sempre que compra alguma roupa já pensa em desocupar o armário. “Nunca fico com coisa parada, a não ser aquelas que gosto muito, que são presentes especiais ou que custaram muito caro. Essas não dou, mesmo que eu não use, mas são poucas”. Maíra costuma doar suas roupas para a funcionária da mãe, pessoas que conhece e colegas de trabalho (confira onde você pode fazer a sua doação no quadro desta página). Para quem precisa de grana, outra saída é vender para os brechós da cidade. Eles pagam pouco (cerca de R$ 3 por peça), mas para quem não ia ganhar nada já é lucro. Para não errar, tenha sempre no guarda-roupa: blusinhas básicas sem estampa como uma bata, uma regata, uma de corte mais simples, vestido preto, que também é básico, calça de alfaiataria com risca de giz, sapato channel, jaqueta jeans, casaco preto e calça skinny. “Quem tiver calças pantalonas, blusas e tops com estampas de bichos e peças balonês devem guardá-las mais um pouco, já as calças de cós alto não vão pegar, essas podem doar”, disse Lila. Outra opção é a customização de roupas, que nada mais é do que dar aquele “up” na peça com aplicações, bordados, tinturas, cortes e amarras para que ela, mesmo “batida”, ganha um visual diferente. BREGA NÃO Mas se você não leva jeito para doar ou vender suas roupas, calçados e acessórios cuidado! Pessoas assim acabam usando as mesmas roupas e combinações e passam a ser conhecida (o) só pelo traje. “Antes de sair, pense em tudo o que você tem e tente usar roupas que estão guardadas faz tempo ou misturá-las com peças novas. Já os vestidos de festa não tem jeito, usou duas vezes chega”, disse Julius. Lila discorda. “Dá para aproveitar esses vestidos desde que o público da festa seja outro, em outras cidades e com acessórios e sapatos diferentes”.

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