Agora é oficial: Franca não terá, ao menos no próximo ano, uma delegacia da Polícia Federal. O Ministério da Justiça fechou a questão e descartou a possibilidade. Os motivos alegados foram a falta de recursos disponíveis para a implantação da unidade e até mesmo para a contratação de funcionários. A proximidade de duas unidades da PF - Ribeirão Preto e Uberlância - também pesou.
A notícia decepcionou políticos locais, que desde o início do ano pressionavam para que a PF se instalasse na cidade. A decisão é ruim para a população, que continua dependendo da PF de Ribeirão Preto para a utilização de serviços simples, como requisição e renovação de passaportes, e ao Ministério Público Federal, onde tramitam atualmente quase 300 inquéritos.
E a tendência é que o montante aumente ainda mais, pois o MPF também depende da sobrecarregada delegacia de Ribeirão para dar seqüência aos casos. Alguns inquéritos que apuram crimes como contrabando, sonegação de impostos e tráfico de drogas, de alçada da PF, chegam a demorar quatro anos para serem concluídos em decorrência da distância.
O deputado federal Marco Ubiali (PSB), autor de um requerimento solicitando a delegacia em Franca, chegou a manter contatos e fornecer dados diretamente ao ministro da Justiça, Tarso Genro (PT). No final de agosto deste ano, deu declarações otimistas sobre o assunto. Agora, diz estar decepcionado. “Segundo o Ministério da Justiça, não há recursos agora para a instalação na cidade. É ruim, pois a cidade precisa dessa delegacia”, disse Ubiali.
Em 16 de maio, uma comissão de vereadores francanos também esteve em Brasília para reforçar o pedido. Silas Cuba (PT), que participou da comitiva, disse que falta de dinheiro é uma alegação frágil para a negativa do governo federal. “É estranha essa conversa. Vi uma entrevista do ministro Tarso Genro hoje (ontem) dizendo que tem dinheiro em caixa, mas precisa de bons projetos. A delegacia em Franca é mais que projeto, é uma necessidade concreta”, disse Cuba.
E AGORA?
De acordo com Ubiali, a posição do governo não pode causar desânimo nas autoridades locais. O deputado se comprometeu a trabalhar nos bastidores em Brasília para reverter a situação. “Não desanimei não. Aqui em Brasília, a gente recebe muito não. Mas percebi que a insistência costuma dar o resultado positivo”, disse Ubiali.
Cuba também prometeu manter contatos com deputados federais que compõem a bancada do PT na Câmara para tentar mudar os rumos da situação. “Não adianta deixar a bola cair. Agora, é buscarmos as alternativas que estiverem em nosso alcance”, disse o vereador.
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