Quem passa ao lado da Praça Santa Cruz, em Ribeirão Corrente, leva um susto. A praça, que antes era toda arborizada, não existe mais. Vinte e duas árvores, algumas com mais de 40 anos, foram arrancadas pela raiz. No lugar ficaram só buracos e galhos esperando para serem cortados e retirados. O corte foi determinado pela Prefeitura Municipal, que elaborou um projeto de reforma da praça, em que não tem lugar para as velhas árvores. A decisão da administração causou polêmica e deixou a cidade dividida. Alguns moradores estão revoltados com o ato da administração; outros já são favoráveis.
O comerciante Sebastião Borges aprovou a retirada das árvores. “A maioria estava condenada e dentro de dois anos a Prefeitura ia ter que cortar mesmo. No lugar, será construída uma praça invejável que terá até fonte luminosa e calçamento de granito. No lugar das árvores retiradas outras serão plantadas”, disse. Já o aposentado Gumercindo Alves Faria, que mora em frente à praça há 15 anos, todos os dias passava horas sentado nos bancos embaixo das árvores. Agora terá de mudar a rotina. “Eu concordo com a reforma, mas fiquei muito triste com a retirada das árvores. Não teremos mais sombra”, disse.
Os moradores mais revoltados chamaram a Polícia Ambiental de Franca para analisar a situação da praça. Uma equipe esteve no local e constatou que a Prefeitura Municipal tinha autorização do DPRN (Departamento Estadual de Recursos Naturais). Mesmo assim, foi registrado um Boletim de Ocorrência. No DPRN ninguém confirmou a autorização. Já o promotor do Meio Ambiente, Fernando Martins, disse que quem licencia a retirada de árvores de cunho paisagístico, no caso das espécies da praça, é o próprio município.
O secretário de Obras de Ribeirão Corrente, Nilson Pulheis, disse que a retirada foi necessária em razão da reforma da praça e do estado em que se encontravam as árvores. “Muitas delas estavam com brocas. Mas temos um projeto de paisagismo e arborização que será feito no local”, disse. A reforma na Praça Santa Cruz deve ser concluída em 90 dias e custará R$ 220 mil. O projeto prevê a construção de uma fonte luminosa, uma concha acústica, banheiros e calçada de 600 metros quadrados.
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