Terceira idade descobre o mundo virtual


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O ano era 1969 e o casal Luís Braz Leão, 65, e Laurinda Maria Oliveira Macedo, 63, recém-casados, viam maravilhados o astronauta norte-americano Neil Armstrong chegar à Lua e observar a Terra do solo lunar. Mal sabiam eles que, quase 40 anos depois, teriam quase que a mesma visão de um quarto de sua casa. Para chegar até o ponto de abrir o Google Earth (Google Terra, programa que mostra imagens do planeta captadas por satélites), Laurinda teve que batalhar para entender como funciona toda a engenhoca formada por monitor, teclado, mouse e CPU (Central de Processamento de Dados). O que é normal para uma criança de 8 anos de idade, acostumada com a “digitalização” do planeta, é de difícil compreensão para uma pessoa que tinha no rádio a maior inovação tecnológica em comunicação. E é justamente esta diferença que Laurinda quis superar ao entrar para o cursos, de informática do programa Ativaidade, da ONG Franca Viva. “A gente tem que acompanhar a evolução. Vieram o celular, o computador, os meninos navegando e a gente de fora, só observando. Eu pensei: vai chegar minha hora, e chegou”. Laurinda faz parte de um grupo de pessoas que não perderam tempo, arregaçaram as mangas e, mesmo com idade mais avançada, aprenderam a utilizar o computador. Pelo menos 300 pessoas com mais de 50 anos aprendem todos os anos a lidar com os computadores. O número é uma estimativa de vagas oferecidas por ONGs e instituições, não considerando as escolas especializadas. A curiosidade, no entanto, não foi o único motivo para que Laurinda procurasse um curso de informática. “Meus filhos moram na Europa e vê-los pela webcam ficou muito melhor. Parece que eles estão mais perto da gente”. A principal dificuldade enfrentada pela dona de casa, no entanto, não foi entender como funcionava a “engenhoca” e sim o teclado. “Por incrível que pareça, minha maior dificuldade foi a digitação”. Um ponto que Laurinda cita como engraçado é referente aos termos utilizados no mundo virtual. Ela lembra de quando entrou em uma sala de bate-papo, ainda durante o curso. “Estávamos teclando quando veio uma mensagem de que fulano tinha saído da sala. Olhei para um lado, para o outro e ninguém tinha saído de lá. Pensei: deve ter outra sala. Só depois fui perceber que era uma sala virtual”. Fernanda Soares, coordenadora Administrativa da Franca Viva, diz que 360 alunos com mais de 50 anos passaram pelo projeto Ativaidade. A maioria das pessoas que procuram o curso de informática o faz em busca de melhorar a qualidade de vida e a sintonia com a família. “Geralmente, o que a gente mais ouve é que eles querem acompanhar os netos”. Para Fernanda, a principal dificuldade enfrentada pelos aprendizes é a falta de familiaridade com a máquina. “É mais o preconceito. Depois que conhecem, perdem isso e a aprendizagem fica mais fácil”.

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