O povo brasileiro, por entender pouco de matemática, normalmente é feito de bobo por governantes adeptos da arte de distorcer a realidade em benefício próprio. É o que está se verificando agora.
Foi divulgado o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano dos países e a posição relativa na lista. Em uma escala de 0 a 1, conforme critérios do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para medir o progresso social de cada país, a partir de dados de renda, saúde e educação, ou, respectivamente, a expectativa de vida ao nascer, a taxa de alfabetização de adultos e a de matrícula escolar e o PIB per capita em dólares PPC (Poder de Paridade de Compra), com distorções cambiais corrigidas.
São considerados de alto desenvolvimento humano aqueles países que têm um índice maior que 0,8. Agora, este também é o caso do Brasil, que alcançou 0,800, apesar de cair uma posição, de 69º para 70º. O índice foi calculado sobre os dados de 2005. No relatório de 2004, o IDH do Brasil foi de 0,792. Isso já fez Lula sair cacarejando em alta voz que “somos abençoados por Deus por governar o Brasil neste momento que estamos vivendo”.
Apesar de nosso índice ter subido e melhorado, observa-se que curva do IDH do Brasil mostra claramente que os avanços do país são parte de um longo processo: 0,723 em 1990, 0,753 em 1995, 0,789 em 2000 e, enfim, 0,800 em 2005. Porém, esse último mostrou o menor avanço em 15 anos. Ou seja, a velocidade da melhoria diminuiu, ou como gostam de dizer os engenheiros, a derivada está negativa.
Por isso que, em 2005, a Albânia e a Arábia Saudita ultrapassaram o Brasil, ocupando agora a 68ª e a 61ª posição respectivamente. Acontece que a Dominica (71ª posição) teve desempenho pior que o Brasil que a ultrapassou. E não custa lembrar ao abençoado presidente que alguns dos nossos vizinhos estão em posição bem melhor, como a Argentina (38ª), Chile (40ª) e Uruguai (46ª).
E também não é demais lembrar que esses índices estão baseados em médias, que por si só podem ser enganosas. Lembramos aquela máxima, eu como um frango por dia e você nada, na média comemos meio frango por dia. Por isso é preciso também analisar além da média, a variância, que mede o quão espalhados estão os dados da média.
É o caso do Brasil, por exemplo, da renda média, que é uma boa renda, porém, como muita gente ganha muito menos que a média e poucas pessoas ganham muito, mascara-se a realidade.
O Brasil não precisa de batedores de bumbo que anunciam “espetáculos de crescimento”, PAC disso e daquilo, biodiesel antes do prazo, e avanços a reboque do mundo.
Precisamos que os cidadãos de bem assumam sua cidadania e coloquem seus talentos matemáticos a serviço da construção de uma nação mais justa e verdadeira, livre das propagandas dos Goebels de ocasião.
Mario Eugenio Saturno é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.
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