FED reduz os juros


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O Federal Reserva (FED), o Banco Central norte-americano, decidiu reduzir em 0,25 ponto a taxa básica de juros dos EUA, jogando-a para 4,25% ao ano. Entenda melhor esse xadrez complexo de uma economia global interligada. O FED tinha dois desafios pela frente. Um, o desaquecimento da economia americana. Para combatê-lo, é preciso reduzir os juros. Outro, o aumento da inflação nos EUA, em função do aumento dos preços do petróleo e das commodities agrícolas. Detalhe: o aumento desses preços está diretamente relacionado com a desvalorização do dólar. Cada vez que o dólar se desvaloriza, os preços desses bens aumentam para compensar a desvalorização. Esse é o primeiro lance da equação. O segundo lance é o seguinte. Quando o FED reduz a taxa de juros básica, automaticamente reduz a rentabilidade dos títulos de renda fixa. Com isso, há uma fuga do dólar para outras moedas, desvalorizando-o ainda mais. E pressionando a inflação. Como o FED pensa não só em inflação (como o nosso BC) mas também em crescimento, prefere apostar na redução dos juros. Ocorre que essa queda dos juros precipita a desvalorização ainda maior do dólar. E aí ocorrem os seguintes fenômenos, um no plano financeiro-cambial, outro no plano comercial, ligados entre si: 1. Sobra mais dinheiro no mercado internacional, fugindo do dólar para outras moedas. Esse movimento acentua a desvalorização do dólar e acentua a valorização de outras moedas, principalmente de países que estão pagando juros muito elevados - como o Brasil. 2. Com a desvalorização do dólar, as exportações americanas ficam mais baratas e as importações mais caras. Ao mesmo tempo, há o fenômeno do aumento da inflação mundial. E aí existem diferenças entre os diversos bancos centrais. O Banco Central Europeu mantém as taxas elevadas para conter a inflação. A Europa passa a sofrer nas duas pontas: com queda da atividade, em função dos juros; e em função do euro apreciado. E aí surgem pressões internas para o BCE ser mais flexível. Ao mesmo tempo, a China tem sentido aumento da inflação, apesar de conseguir baratear a produção de bens. E seu BC está atuando cada vez mais para conter a atividade econômica. 3. Tem-se, então, a economia mundial reduzindo o ritmo, o comércio mundial acompanhando. O bolo fica menor e, ao mesmo tempo, existem não mais um, mas dois tigres famintos atrás de fatias do comércio: os EUA, e a China. Dentro dessa engrenagem complexa, letal, qual a estratégia brasileira? A cada dia que passa, o dólar se desvaloriza mais, frente o real. Com a nova redução dos juros norte-americanos, como o BC não acompanhará, aumentará o fluxo de dólares financeiros para dentro do país, apreciando ainda mais o câmbio. Em um primeiro momento, ocorre a melhoria do poder aquisitivo da população, já que os importados ficam mais baratos. Só que, a cada dia que passa, as importações ocuparão o espaço da produção interna, cada vez mais. No início, substituindo componentes, depois, gradativamente, substituindo produtos completos. E o governo observa a tudo isso inerte. VERBA DO BNDES Os desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) somaram R$ 56,6 bilhões de janeiro a novembro deste ano. Trata-se de alta de 34,2% em relação ao mesmo período de 2006. O teto de empréstimos do banco para este ano é de R$ 65 bilhões. As aprovações de empréstimos, porém, superam os desembolsos e já chegam a R$ 76,9 bilhões -23,6% mais do que em igual período de 2006. Segundo Ana Claudia Além, assessora da presidência do BNDES, os números das aprovações sinalizam que os financiamentos continuarão avançando em 2008 e mostram que há uma demanda crescente por novos projetos no País. O diretor de Planejamento do banco, João Carlos Ferraz, estima que em 2008 os empréstimos do banco possam atingir R$ 70 bilhões. O BNDES negocia com a cúpula da equipe econômica uma capitalização que permita aumentar seu orçamento de empréstimos. Uma das alternativas seria usar recursos de um fundo soberano que o governo deve constituir no exterior. Do total de empréstimos do BNDES no acumulado de 2007, R$ 23,8 bilhões foram para a indústria, cifra 13% maior do que a do período janeiro a novembro de 2006. A área de infra-estrutura recebeu R$ 23,7 bilhões. Os desembolsos para o setor, porém, cresceram 58%. ESSA É BOA! O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, defendeu a adoção de jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar apenas depois dos 25 anos de idade. Para Pochmann, o aumento da expectativa de vida no Brasil - 72,3 anos - justifica a entrada tardia no mercado de trabalho. “Não há razão técnica para alguém começar a trabalhar no País antes dos 25 anos de idade. Especialmente porque estamos para entrar na fase em que a expectativa de vida ultrapassará os cem anos”. Seu argumento para reduzir a jornada é o acúmulo de capital pelo sistema financeiro internacional, que ele chamou de “produtividade imaterial”. “Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana”. A Constituição permite a livre negociação da jornada de trabalho, com limite máximo semanal de 44 horas.

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