É distintiva da gestão Lula a preocupação com as classes menos favorecidas. Se a própria sociedade não se dispõe a transformar o pobre no rico, os que desconhecem nos que conhecem, os desprovidos nos providos, surgem as políticas para dar sinal de vida. Desta vez, no entanto, para acenar o excesso de vidas que compõem a população brasileira e estender o alcance da Política Nacional de Planejamento Familiar, que foi proposta em maio de 2007, mas ainda carece de maior divulgação.
A idéia que sustenta a política é a que promoveu a elevação dos investimentos a fim de evitar a gravidez indesejada ou fora de hora, sobretudo a partir da referência de algumas medidas através da televisão e das escolas. Entre elas, o destaque é para o subsídio na venda de pílulas anticoncepcionais, além das cartelas distribuídas gratuitamente, e a realização de vasectomia através do serviço público de saúde. A dificuldade maior é de que essas informações alcancem quem mais precisa.
As pílulas estão sendo vendidas 90% mais baratas nas farmácias populares, enquanto os médicos passaram a receber uma remuneração mais alta pela vasectomia no sistema público de saúde. É certo que a interrupção descuidada no uso de anticoncepcionais nem se compara com a garantia de esterilidade da vasectomia, que é um procedimento rápido e simples realizado nos homens, e da laqueadura (ou ligadura de trompas), um pouco mais difícil de ser feita nas mulheres. É recomendável, no entanto, muita ponderação antes de optar por um método irreversível.
Quando não se consegue educar e empregar tanta gente, é melhor cortar o número de nascimentos. Cada um que nasce precisa de alimentação, tratamento médico, educação, atenção, entre outros cuidados, que as famílias de baixa renda têm dificuldade de prover se não tiverem auxílio do governo. Neste sentido, Lula falou em dar condições para que as famílias pobres também decidam o número de filhos e a época em que querem tê-los em comparação com a classe média, que é melhor provida de dinheiro e educação.
Com essas e outras medidas, constata-se uma disparidade regional em relação aos estados onde o índice de esterilização masculina aumentou: todos na região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo), no tempo em que apenas um no Norte (Pará) e um no Nordeste (Rio Grande do Norte).
As informações mais técnicas a respeito dos métodos de prevenção da gravidez fogem da minha especialidade, da mesma forma que não mencionei os preceitos de algumas crenças que contrariam a sua aplicação, no entanto ressalto que fui movido a escrever sobre o tema como sugestão de uma leitora que, de suas palavras, afirmou que “não há mãe no mundo que queira ver seus filhos passando fome, dificuldades, miséria, violência, etc”.
A principal ação depende da consciência do indivíduo e da educação recebida nos lares e outros meios. Planejamento familiar é importante para que menos doenças sejam adquiridas através do sexo, menos filhos venham à luz por gravidez indesejada e menos bebês sejam despejados inconseqüentemente em rios e terrenos baldios.
BRUNO PERON LOUREIRO é bacharel em Relações Internacionais pela UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.