O AVC (Acidente Vascular Cerebral), também conhecido por derrame, foi o responsável por mandar 260 francanos para a Santa Casa durante os primeiros seis meses de 2007. Do total, 49 pessoas morreram. O que significa que a cada cinco pessoas que dão entrada por AVC no hospital, uma morre. O índice , que mostra ainda que uma pessoa morre a cada três dias, é considerado alto pela neurologista Edith Aparecida de Pádua. Ela culpa a falta de informação dos pacientes sobre as prevenções da doença e a inexistência de uma unidade específica para atender os casos. “Se tivesse um local para este tipo de situação; acredito que a quantidade de óbitos iria cair significativamente e também evitaríamos que o paciente sofresse com grandes seqüelas”, disse.
Dados do Ministério da Saúde indicam que nos últimos dois anos mais de 90 mil pessoas morreram em conseqüência de acidente vascular cerebral no Brasil. A maioria dos pacientes tem mais de 60 anos, sofre com hipertensão e têm diabetes. “Toda vez que o indivíduo está com pressão arterial muito alta, o cérebro está fazendo um esforço enorme para que não haja um fechamento de vasos cerebrais e, se isso acontecer, ele pode se “arrebentar” e causar um sangramento no cérebro, o que chamamos de derrame”, explica Edith que trabalha há 20 anos na Santa Casa.
Os primeiros sintomas de quem vai sofrer um derrame são dores de cabeça muito fortes, visão turva, tontura e perda do movimento parcial do corpo, na maioria das vezes das mãos e das pernas.
Quando a pessoa notar isso, deve procurar imediatamente um médico. “Se for começo de derrame, ela vai perder uma grande quantidade de neurônios no cérebro com o sangramento, causando sérias seqüelas como perda total do movimento do corpo, de memória, ou, até morrer”. Quem não sofre de pressão alta não está livre do derrame. “Se alguém leva um susto, a pressão pode se elevar, criando um quadro de risco. Claro que, neste caso, a estabilização será bem mais rápida”. Pessoas muito ansiosas e nervosas, correm riscos ainda maiores.
Os homens são maioria nas estatísticas. Nos primeiros seis meses do ano, foram 22 casos a mais do que entre as mulheres. O aposentado Luiz Anselmo de Andrade, 68, compõe as estatísticas. Ele sofreu derrame aos 61 anos e, na época, depois de seis dias de internação, perdeu o movimento direito do corpo e a fala.
Hoje, sete anos mais tarde, tenta se recuperar com fisioterapias e já conquistou grandes resultados. “Minha médica me disse para eu não dirigir, mas eu dirijo mesmo assim. Não gosto de ficar em casa. Faço até movimento de banco”, disse, demonstrando ainda dificuldade para falar. Para a mulher e as cinco filhas, sua recuperação foi um milagre. “Graças a Deus e ao carinho que os médicos deram a nós, hoje ele está bem”, disse sua mulher. Os hospitais Regional e Unimed foram procurados pela reportagem, mas até o fechamento desta edição, não informaram quantas pessoas atenderam com AVC no último ano.
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