No mesmo dia em que foi publicada a reportagem com as fotos de Tiago Brandão, o site do Comércio da Franca recebeu inúmeras manifestações de leitores. Ao todo, foram 90, o que pode ser considerada uma das maiores repercussões que o jornal já obteve com uma única matéria em toda a sua história.
Se no site do Comércio, a maior parte das mensagens recebidas era de apoio e reconhecimento pela importância do trabalho, não se pode dizer o mesmo das mais de cem pessoas que escreveu para o fotógrafo em sua página no Orkut. Obrigado a apagar seu perfil na rede de relacionamentos, Brandão foi xingado e ameaçado. Um dos internautas que escreveram para ele, chegou a sugerir aos visitantes da página que o filho do fotógrafo também fosse jogado em um poço para que todos conhecessem qual seria a atitude do pai.
“As pessoas não entendem que eu não tinha condição de pular lá e salvar quem quer que fosse, pelo simples fato de que não sei nadar. Aí, sim, poderia haver uma tragédia. Além disso, havia várias pessoas ajudando o garoto. Minha ajuda era dispensável”, disse Brandão. “Por outro lado, foi a partir das fotos que muita gente procurou a família e passou, naquele momento, a ajudar com doações e até dinheiro”.
Mas foram as ligações e mensagens eletrônicas de profissionais da imprensa de diversos veículos do País, a maioria desconhecida, que reanimaram o fotógrafo. Sem tempo para ponderar se fez ou não o que a maioria das pessoas acha certo, Brandão foi vendo seu trabalho ganhar uma repercussão nunca experimentada em sua curta carreira, com oito anos de profissão. “Como pessoa e como profissional, fiz o que achava correto naquele momento”, disse.
De volta a Franca, com os R$ 10 mil do prêmio nas mãos, nenhuma previsão muito definida do que vai fazer. De certo, apenas o investimento em um equipamento fotográfico próprio.
Apesar da premiação em dinheiro ser importante, ela não foi a mais comemorada, o fato de ter conseguido chegar à uma final de concurso em que apenas os melhores profissionais do País chegam foi o que valeu. Em suas palavras, ser reconhecido como o melhor entre os melhores de um determinado ano, é o máximo que poderia almejar para a carreira.
“O reconhecimento é uma coisa que eu sempre busquei. Saí do encarte do jornal, em que trabalhava de madrugada e depois de oito anos de fotografia já ter um prêmio assim é muito gratificante”, disse Brandão, para quem um dos responsáveis por seu sucesso profissional foi o ex-diretor responsável do Comércio, jornalista Corrêa Neves, morto em 2005. “Foram anos de convivência e estímulo que deram resultado”.
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