Márcia Jerônima Campos teve sua exposição repentina na mídia sem esperar por isso. Afinal, no dia em que, sem pensar, ela pulou no poço inundado para salvar o filho, a última coisa que poderia passar por sua cabeça seria o assédio que a imprensa manteve sobre ela.
Aposentada aos 37 anos, ex-sapateira, Márcia mora com os filhos Gabriel, salvo pela mãe, Daniel, os dois com oito anos hoje, e Pedro, de 10. A casa, na Vila Santa Cruz, é um conjugado de três cômodos bastante simples. Como os recursos não são suficientes para manter os três filhos, o salário mínimo recebido de benefício é complementado pela a ajuda de vizinhos e conhecidos.
Ao conversar com a reportagem, com Gabriel ao lado, disse que sentia a falta de espaço para as crianças brincarem. “Mas eles não ficam na rua, não, e estão todos na escola”, fez questão de dizer. A televisão, único divertimento seu e dos filhos dentro de casa, queimou, depois que a chuva correu pelo telhado e despencou sobre o aparelho através de uma goteira.
Perguntada sobre o que sabia do trabalho do fotógrafo Tiago Brandão e o que sentiu depois de ver as fotos do filho no jornal, Márcia disse que não viu nada demais na atitude do fotógrafo. “Não tenho nenhuma raiva dele, não”. Sobre o que a levou a pular no piscinão atrás do filho, ela foi direta: “é o instinto que a gente tem e não sabe de onde vem nessa hora”.
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