O novo líder do PT


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O presidente eleito do diretório municipal do PT, José Eduardo David, fotografado na sala de sua residência, promete: “Vamos nos organizar, montar uma chapa forte e voltar ao poder”
O presidente eleito do diretório municipal do PT, José Eduardo David, fotografado na sala de sua residência, promete: “Vamos nos organizar, montar uma chapa forte e voltar ao poder”
<p>Aos 60 anos, o comerciante José Eduardo David assumiu, na última semana, a presidência do diretório do PT em Franca. Com opiniões fortes, afirma que recolocará o partido no poder e que, para isso, não poupará esforços. José Eduardo ataca, sem cerimônias, a candidatura do sindicalista Paulo Afonso Ribeiro à Prefeitura, classificando seu pretenso eleitorado como “setorizado nas fábricas de calçados”. Declara abertamente sua preferência pelo vereador Gilson Pelizaro. “É o momento dele. Ele pode abrir os horizontes do partido”.</p> <p><br />Diz estar aberto a negociações até com o PSDB, arquirrival do partido vermelho. Descarta, porém, qualquer tipo de papo com o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), a quem chama de “ultrapassado” e “retrocesso para Franca”. Provoca, ainda, o vice-prefeito Ary Balieiro (PTB), que, para ele, já não tem mais influência política.</p> <p> “O Sidnei está à procura de um novo vice”, diz. Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista com José Eduardo David, ou “Zé”, como é conhecido dentro do PT. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Como foi sua chegada à presidência do PT em Franca?<br />José Eduardo David -</strong> O PT realiza eleições diretas periodicamente. Algumas pessoas me disseram que o PT precisava de alguém experiente para organizar o partido para as eleições de 2008. Aí fui candidato. Fizemos uma proposta aos filiados, que foi bem aceita e tive 55% dos votos. </p> <p><strong>Comércio - Foi uma virada para cima da corrente esquerdista do partido, comandada pelo ex-presidente, Manoel Ilson e pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro?<br />David -</strong> Não considero virada. Eu e meu pessoal sempre achamos que eu ia ganhar. Depois da eleição do partido, em setembro de 2005, eles realmente fizeram maioria de apenas um membro. Essa maioria foi invertida agora. Mas nunca levei a ferro e fogo no PT esse negócio de esquerda. Não há racha no PT. As disputas são democráticas. </p> <p><strong>Comércio - Qual a sua estratégia para retomar a credibilidade do PT na cidade?<br />David -</strong> Primeiramente, o PT tem que reconquistar o filiado, o militante. Passar confiança para ele, elevar a auto-estima porque aí você vai conversar com a sociedade com um peso diferente. O PT tem de se reposicionar politicamente, dizer para a população que é referência de oposição em relação ao governo do PSDB. Colocar a público o que os vereadores já vêm fazendo na Câmara.<br />Segundo, precisamos trabalhar junto aos movimentos sociais. Entendemos que eles são nossos parceiros na luta por uma sociedade mais justa. O terceiro é dar visibilidade pública maior para o PT, mostrar para a sociedade o que pensamos e quarto é preparar o partido para a disputa de 2008. E, quinto, vamos escolher um candidato a prefeito que tenha viabilidade eleitoral e formar uma boa chapa de candidatos a vereador. </p> <p><strong>Comércio - Quem é seu candidato a prefeito em 2008?<br />David -</strong> Se eu tivesse o poder de decidir? Acho que tem que ser uma candidatura que amplie as relações do PT e não fique ligada a apenas um setor. O vereador Gilson Pelizaro é o ideal. </p> <p><strong>Comércio - A candidatura setorizada a que se refere seria a de Paulo Afonso?<br />David -</strong> Acho que seria mais ligada ao trabalhador das fábricas de calçados. Não quer dizer que não seja um bom candidato e não tenha chances. Mas a candidatura do Gilson, agora, ficaria parecida com a de Gilmar Dominici, em 1996, que também vinha de um trabalho de destaque como vereador. Mas são os filiados que resolverão. </p> <p><strong>Comércio - Gilson Pelizaro teria chances contra o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), apontado como franco favorito à reeleição?<br />David -</strong> O Gilson está finalizando seu quarto mandato e acumulou experiência política para tentar ser prefeito da cidade. Nossas pesquisas dizem que o Sidnei Rocha tem uma fatia do eleitorado de 30%. Esse é o teto dele. A chance dele em uma disputa de segundo turno é menor. Ele não ganha uma disputa em segundo turno. Por isso, ele está tentando fechar uma aliança maior, para tentar decidir no primeiro turno. E essa chance vai diminuindo cada vez mais a cada novo escândalo em sua administração. Pelas pesquisas, inclusive de outro partido, o Gilson é o segundo colocado. </p> <p><strong>Comércio - O vice-prefeito Ary Balieiro (PTB) é o principal apoio a ser fechado?<br />David -</strong> O Ary foi importante na eleição do Sidnei em 1982 e na última eleição (2004). Agora, esse apoio do Ary já não é tão fundamental. Pelas mesmas pesquisas, os números do Ary não são significativos. Seu tempo de figura importante na política começou a se perder, se diluir. </p> <p><strong>Comércio - Quais os planos do PT, sob sua gestão, para a Câmara em 2008?<br />David -</strong> Queremos ampliar nossa bancada. Na legislatura passada, chegamos a ter cinco vereadores. É um peso muito grande. Já existe um movimento para formarmos uma chapa muito forte e temos chances de fazer pelo menos quatro cadeiras, que é um bom número. </p> <p><strong>Comércio - O senhor pretende estreitar relações com outros partidos ou acredita que o PT tem de partir para candidaturas solo?<br />David -</strong> Entendo que a aproximação final, no período eleitoral, é mais intensa. A nova direção vai conversar com todos os partidos políticos de Franca. Claro que temos as legendas preferenciais, como o PSB, PCB e PC do B. Mas não podemos escolher muito. Vamos conversar com todos, inclusive o PSDB. Só não dá para sentar e conversar é com Sidnei Rocha. Sua visão de política, partido e administração é completamente oposta a que nós temos. </p> <p><strong>Comércio - Como o senhor avalia o homem e o político Sidnei Rocha?<br />David -</strong> O homem eu não saberia definir. Já conversei algumas vezes com ele, mas só o conheço à distância. Nunca tive amizade com ele e não tenho a mínima noção de como ele é com seus amigos, em sua casa e não tenho interesse nenhum em saber. Agora, como político, conheço-o desde os início dos anos 80. E ele não mudou absolutamente nada de lá para cá. Tanto não mudou, que não consegue se reciclar. Ele está completamente ultrapassado e confunde autoridade com autoritarismo. Não reúne secretariado, não pede conselho. Isso é prejudicial à cidade. É um retrocesso. </p> <p><strong>Comércio - No caso do Gilmar Dominici, não aconteceu o contrário? Faltou comando?<br />David -</strong> Não acho isso. Chegou a se falar isso porque é justamente a diferença que existe Sidnei Rocha e Gilmar Dominici. Sidnei Rocha é o centralizador, confunde autoridade com autoritarismo, vale o que ele manda, o que ele pensa. O Gilmar Dominici é completamente diferente. As decisões finais dos dois mandatos do prefeito Gilmar Dominici eram dele, mas as discussões para chegar à tomada de decisão sempre foram coletivas. </p> <p><strong>Comércio - Por que Gilmar foi tão mal na eleição para deputado federal, em 2006?<br />David</strong> - Ele teve no período pré-eleitoral um ataque muito grande. Até a imprensa teve um pouco esse papel, mas mais da parte do Sidnei Rocha. O Sidnei faz picuinhas, mesquinharias políticas para poder atacar o Gilmar, mas o governo dos dois é incomparável. O Gilmar ganha sempre, principalmente na parte técnica. </p> <p><strong>Comércio - Que nota você dá para a administração do Sidnei?<br />David -</strong> Zero. Em todos os sentidos. Até no recapeamento de ruas. Na administração do Gilmar, com a concessão onerosa de transporte para a Empresa São José, R$ 1 milhão foi suficiente para asfaltar 250 quilômetros. Agora, ele quer gastar R$ 8 milhões para 370 quilômetros. </p> <p><strong>Comércio - É uma acusação?<br />David</strong> - Na verdade é ruim acusar sem ter prova. Não é acusar, mas desconfiar justamente porque tem antecedentes (...) Um governo que tem tanto escândalo, fraude em licitação, depois superfaturamento em obra, como aconteceu no Vale dos Bagres, não sei não.</p>

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