No mundo do tráfico, quem dita a lei são os criminosos. Viciado em drogas, Wendel Ribeiro Beraldo, 19, o “Alemãozinho”, matou um traficante com 20 facadas quarta-feira. Como se apresentou espontaneamente à polícia, escapou da cadeia. Mas a liberdade está longe de significar tranqüilidade. Na manhã de ontem, a casa onde ele mora, palco do assassinato de Tiago da Silva Pinto, 20, foi incendiada. Sabedor de que seria alvo de alguma vingança, o assassino confesso e sua família já haviam deixado o imóvel.
A polícia não tem dúvidas de que o incêndio está relacionado com o violento homicídio de quarta-feira. “Alemãozinho” estava dentro de casa, na Rua Paulo Donizete Pereira, Jardim Santa Bárbara, quando foi surpreendido por Tiago. O traficante foi cobrar uma dívida de R$ 300. O viciado havia comprado crack e relutava em pagar. Ambos começaram a brigar na sala. “Alemãozinho” pegou uma faca e golpeou o credor por cerca de 20 vezes. A vítima quase teve o pescoço decepado.
O viciado saiu rapidamente da casa e foi com o pai até a sede da DIG. Confessou o crime e disse que o traficante o ameaçava de morte. Por ter se apresentado, recebeu o benefício de responder em liberdade. Era senso comum de que correria riscos na rua.
O clima no bairro ficou pesado para ele. No dia do assassinato, mesmo com a presença de policiais no local, familiares mostravam indignação e falavam em fazer justiça com as próprias mãos. Amigos e criminosos ligados a Tiago também fizeram ameaças a “Alemãozinho”.
A família dele decidiu deixar a casa no mesmo dia. Foi uma atitude acertada. Na manhã de ontem, pessoas ainda não identificadas arrombaram a porta e atearam fogo nas camas dos dois quartos e sobre o sofá na sala. A fumaça despertou a atenção dos vizinhos, que chamaram os bombeiros. “As chamas não se espalharam. Mas houve muita caloria e os produtos mais perecíveis foram danificados. Devido à falta de oxigênio - a casa estava toda fechada - o fogo não se espalhou como se esperava. Caso contrário, os danos poderiam ter sido maiores”, disse o sargento Borges.
A equipe de homicídios da DIG está apurando a autoria do atentado. Os policiais confirmaram que a família de “Alemãozinho” vinha recebendo ameaças. Ele deixou a cidade, enquanto os pais foram para outro bairro até a poeira baixar. “Estamos apurando, mas ainda não conseguimos descobrir o autor do incêndio. Temos conversado com familiares e vizinhos de Tiago e pedido que tenham calma para evitar alguma tragédia”, disse o investigador Nilson Ruela. Ainda na manhã de ontem, a namorada de Tiago brigou com vizinhos que estariam, supostamente, guardando pertences da família de “Alemãozinho”.
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