Perdendo a cabeleira


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Se comemorar primaveras com cabelo de menos já não é legal, imagina ver os fiozinhos abandonarem o bom e velho “ninho” sem você ter, ao menos, chegado aos 30?. É, pode parecer estranho, mas jovens com idade entre 18 e 29 anos também sofrem com a queda de cabelo. Nesta faixa etária, o problema não é comum, mas, quando acontece, atinge principalmente os meninos. Os motivos podem ser genéticos, orgânicos ou emocionais. Um ser humano possui em média 150 mil fios de cabelo e, com tanta fartura, perder uns 100 por dia não faz mal a ninguém. Na verdade, essa queda é até normal, como os fios de cabelo duram cerca de dez anos, estão constantemente sendo renovados. O problema é quando caem em exagero. “Perder cabelo faz bem. A situação se agrava quando eles caem tanto que chegam a faltar. Nesse caso, há uma rarefação de fios e a pessoa percebe a diferença”, disse o dermatologista Sérgio de Paula Tasso. As causas da queda de cabelo são muitas e ela pode ser percebida por falhas de cabelo localizadas ou a perda uniforme dos fios. Quando o assunto é esse, o que fala mais alto, na opinião do médico Sérgio, é a herança genética, mais comum nos homens, mas que também pode ser diagnosticada em mulheres. Em casos de alopecia androgenética, como é cientificamente chamado este tipo de queda, o cabelo continua crescendo, mas, a cada novo ciclo capilar, os fios nascem mais fracos fazendo com que a raiz também enfraqueça e “morra”. Doenças como anemia, falhas no funcionamento da glândula tireóide e infecções também podem causar a queda de cabelo. “Com o organismo debilitado, os nutrientes capilares vão deixar de agir no couro cabeludo para atuar nos órgãos mais necessitados e, por isso, há a perda”, disse Sérgio. O uso de alguns medicamentos (para tratamento de câncer, antibióticos, antiinflamatórios, entre outros) também podem agravar a situação. O estresse e a ansiedade, vividos pelos jovens principalmente em época de vestibular, também são fatores emocionais citados pelos especialistas, assim como a tricotilomania (mania de arrancar cabelos). Os regimes desregrados e sem orientação médica, então, nem se fala. O uso excessivo de bonés, chapéus, capacetes e até dormir com o cabelo molhado podem causar as “tinhas” (micoses) e a caspa (dermatite seborreica) que intensificam a queda. Prender demais o cabelo e com muita força também é problema, assim como exagerar na química e outras técnicas de embelezamento, que elas adoram. “Os produtos químicos fortes encontrados em alisantes, tinturas e outros cosméticos enfraquecem e quebram os fios de cabelos fazendo com que eles caiam. Os bonés, além de dar caspa, apertam o couro cabeludo, diminuindo a irrigação do folículo do pêlo”, disse a dermatologista Rita Silvestre Moscardini. As consequências podem ser leves, mas, se a doença não for tratada corretamente, o paciente corre o risco de ficar careca. Esse é o maior medo do comerciante Aluisio Limonti, 26, que, desde os 20 anos sofre com a queda de cabelo, doença herdada do pai. “Eu tinha o cabelo comprido e bem liso. Quando começou a cair, fiquei muito incomodado, agora já acostumei, mas não quero ficar careca”. Ele iniciou um tratamento, mas parou. Há uma semana, usa um xampu, que espera ser “milagroso”. “Tomei remédio por quatro meses e tava dando certo, mas não tive dinheiro para voltar no médico. Tomara que esse xampu também dê”. De acordo com a especialista, os principais métodos para se tratar a perda de cabelo são: xampus, vitaminas, mesoterapia capilar (aplicação do fármaco diretamente no local da patologia), comprimidos e tópicos (gotas). Quando a doença está associada a causas emocionais, a cura só aparece quando a pessoa muda o seu comportamento. Para Sérgio Tasso, ações simples como lavar o cabelo regularmente e ter uma boa alimentação, rica em proteínas, podem evitar o problema. “Lavar a cabeça não faz cair cabelo, isso é mito. A lavagem diminui a oleosidade da pele e evita as caspas, já a proteína tem queratina, um “ingrediente” fundamental para a saúde dos cabelos”.

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