Fulminante, sem qualquer aviso


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A corporação de Bombeiros de Franca está de luto. “O sargento Aílton Silvério, 49, passou mal e caiu no gramado. Foi vítima de um ataque cardíaco. (...) Foi levado com vida para o hospital, mas morreu logo depois. (...) Antes da partida, que começou por volta do meio-dia, Silvério fez piadas com os amigos e não reclamou de dores. Sempre jogava futebol e fazia caminhadas. Tinha um bom preparo físico” (Leia a matéria produzida pelo repórter Edson Arantes, do Comércio, em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id= 24340. Leia também, texto de saudação dos Bombeiros ao companheiro, à página 6). Cardiologistas me contaram que o número de pessoas com mais de 30 anos que se dedicam a atividades físicas sem acompanhamento adequado podem repetir a história do sargento. O problema está no estado do sistema circulatório, sujeito às chuvas e trovoadas das gordurinhas da picanha do fim de semana, dos nitritos dos embutidos (substâncias químicas que “melhoram” a sobrevida de salames, presuntos, mortadela e similares), dos torresminhos de boteco e outras delícias que o mundo moderno coloca à disposição de nossa voracidade de super-homens. O sangue bombeado pelo coração passa, mais ou menos, pelos mesmos problemas que a água das chuvas enfrenta nas sarjetas. Ora corre livre e solta e ora “tropeça” na quantidade de papel – aquele papel que distribuem em semáforos ou jogam nas caixas postais e nos alpendres das casas –, nos entulhos, nos sacos de lixo que se acumulam também nas bocas-de-lobo, causando enchentes e desconfortos. O sistema entope. Pois é igual, no coração. Se há entulhos – as placas gordurosas – nossa bomba fica obstruída, necrosa, infarta (Dicionário Houaiss). Morre. Os que têm mais de 30 anos já são candidatos. Quando a gente pratica atividade física, o músculo cardíaco se fortalece e bombeia com força (veja como sua pulsação sobe durante uma caminhada de uma hora de duração, por exemplo). A pulsação mais forte não permite a fixação de placas. Ótimo. Se paramos de exercitar atividades físicas, a tendência do músculo cardíaco é enfraquecer. Vitória das placas. Ela se fixam – lembra-se do lixo que entope as bocas-de-lobo? – e começam a cumprir sua missão: matar o indivíduo. O sargento Aílton Silvério, um homem extremamente preparado jogava sua tradicional bolinha junto aos amigos, quando infartou. Sem aviso. A coisa é feia: sabe quanto por cento da população faz exames periódicos para saber se o sistema circulatório está legal, principalmente depois de 30 anos? Menos de 5% !!! As alegações são: “não tenho tempo”, “não tenho nada”, “sou o super-homem(!)”. DÁ PARA SABER? Se há risco? Dá. Eis aqui uma Tabela de Avaliação do Risco Cardíaco, proposta pela American Heart Association, que você pode usar daqui em diante, frequentemente. Faça assim: responda com seriedade a condição em que você se enquadra e some os pontos: Fumo – Nunca fumou (0); ex-fumante ou fumante de cachimbo ou charuto, sem inalação (1); menos de 10 cigarros por dia (2); 10 a 20 cigarros por dia (8), 21 a 30 cigarros por dia (9); 31 a 40 cigarros por dia (10). Some os pontos e guarde. PESO Inferior em 5 kg ao peso normal (0); peso normal (1); acima do peso entre 5 a 10 kg (2); acima do peso entre 11 e 19 kg (3); acima do peso entre 20 e 25 kg (7); 26 kg ou mais acima do peso (8). Some e guarde. ATIVIDADE FÍSICA Atividade profissional / esportiva intensa (0); moderada (1); leve (2); atividade profissional sedentária / esportiva moderada (3); atividade profissional sedentária / pouca atividade esportiva (4); inatividade física (6). Some e guarde. ANTECEDENTE FAMILIAR Ausente (0); pai ou mãe com mais de 60 anos com doença coronariana (1); pai e mãe com mais de 60 anos, com doença coronariana (2); pai ou mãe com menos de 60 anos, com doença coronariana (3); pai e mãe com menos de 60 anos, com doença coronariana (7); pai e mãe e irmão de ambos com doença coronariana (8). Some e guarde. PRESSÃO ARTERIAL 110 e 119 mmHg (0); 12 e 130 mmHg (1); 131 e 140 mmHg (2); 141 e 160 mmHg (6); 161 e 180 mmHg (9); 180 mmHg ou mais (10). Some e guarde. SEXO/IDADE Homem de 20 a 30 anos / mulher até 50 anos (0); homem, de 31 a 40 anos (1); homem de 41 a 45 anos / mulher de 51 anos ou mais (2); homem de 46 a 50 anos / mulher sem ovários (3); homem de 51 a 60 anos / mulher com irmão ou irmã infartada (5); homem de 61 anos ou mais / mulher diabética (6). Some e guarde. GLICEMIA Jejum abaixo de 80 mg% (0); diabéticos na família (1); jejum = 100, 1ª hora 160 (2); jejum = 120, 1ª hora 160 (5); diabetes tratado (6); diabetes não controlado (10). Some e guarde. COLESTEROL Abaixo de 180 (0); 181 a 200 (1); 201 a 220 (2); 221 a 249 (7); 250 a 280 (9); 281 a 300 (10). Some e guarde. RESULTADO Some todos os resultados parciais que você guardou. Não há risco se a soma estiver entre 0 e 8. Risco potencial para 17 pontos. Risco Moderado, para 40 pontos. Risco alto para 59 pontos. Faixa de perigo iminente para 67 pontos. Perigo máximo para 68 pontos. Vale ressaltar que se você estiver submetido a estresse contínuo, o risco de vida se amplia e pode causar conseqüências imprevisíveis, sem qualquer aviso.

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