Era para ser uma festa. Terminou em fatalidade. Não foi por falta de socorro especializado. Como fazem em todos os finais de ano, os bombeiros se reuniram ontem para uma confraternização. Antes do tradicional churrasco, foram disputar uma partida de futebol. Durante o jogo, o sargento Ailton Silvério, 49, passou mal e caiu no gramado. Foi vítima de um ataque cardíaco. Os amigos fizeram de tudo para salvá-lo. Foi levado com vida para o hospital, mas morreu logo depois.
A festa acontecia no sítio de uma empresa de calçados no Distrito Industrial. Antes da partida, que começou por volta do meio-dia, Silvério fez piadas com os amigos e não reclamou de dores. Sempre jogava futebol e fazia caminhadas. Tinha um bom preparo físico. “Nós estávamos jogando, quando alguém gritou e disse que ele havia caído. Até achei que fosse brincadeira. Ao ver que a situação era séria, fizemos massagens cardíaca e respiração boca-a-boca para reanimá-lo. Logo que o resgate chegou, usamos o desfibrilador”, contou o sargento Bonisenha.
Havia cerca de 20 bombeiros no campo. Desesperados, revezaram-se no atendimento para manter o companheiro vivo. Silvério foi levado para o Hospital Unimed e morreu uma hora depois. “Quando é um dos nossos, a gente se perde. O desespero é muito grande. A gente se sente impotente e vê que não é herói”, disse Bonisenha.
O major Frank, subcomandante do 9º Grupamento de Bombeiros, que abrange 83 cidades da região, participava da festa. Acompanhou as tentativas de socorro e lamentou a morte do amigo. “Foi uma fatalidade que nos deixou muito tristes, principalmente, por ter acontecido junto a nós, bombeiros. Estamos sofrendo muito”.
O capitão Alexandre, comandante da regional de Franca, também lamentou o ocorrido. “O Corpo de Bombeiros está de luto. O Silvério era uma pessoa carismática e que prestou relevantes serviços à comunidade. Estamos sentidos e transmitimos à sua família nossos sentimentos. Fizemos tudo o que podia ser feito, mas não foi possível mantê-lo vivo”.
Silvério ingressou nos Bombeiros há 29 anos e se aposentou há pouco mais de seis meses. Deixou mulher e um casal de filhos. Seu corpo está no Velório São Vicente de Paula e será sepultado às 12h30 no Cemitério Santo Agostinho.
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