O planeta é mal freqüentado


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“O homem vale menos que uma bactéria”, afirma o polêmico líder e mentor adepto da teoria da extinção da humanidade, Les U. Knight, do Movimento Voluntário pela Extinção Humana (VHEM). Considera que depois de poluir o ar, envenenar rios, abrir buracos na camada de ozônio, condenar populações inteiras à fome e à pobreza, o mínimo que a humanidade poderia fazer era ter a decência de abandonar o barco e deixar esse pedaço de rocha flutuante para sua verdadeira dona: a mãe natureza. Ele representa o radicalismo ecológico levado às últimas conseqüências. Os últimos acontecimentos, envolvendo uma adolescente de 16 anos e mulheres no Pará, ou seja, a governadora Ana Julia Carepa (PT) e a juíza Clarice Maria de Andrade confirmam que a má freqüência no planeta não é piada. Dói mais ainda conhecer o critério de julgamento de algumas mulheres quando se trata de mulheres. Essa jovem entregue ao cativeiro por 27 dias de maneira ilegal e monstruosa viveu o horror de ter, nos 20 detentos ‘companheiros de cela’, os autores de seu martírio. Presa outras vezes por furto e invasão de domicilio, foi igualmente encarcerada e violentada nessa mesma cela, declarou o delegado geral do Pará, Raimundo Benaussuly (Agência Senado). Na sua ótica obtusa ‘mesmo não sendo médico ou legista’, disse acreditar que a menina sofria de alguma debilidade mental, ‘pois em nenhum momento declarou sua menoridade penal’ Essa foi sua preconceituosa e infame justificativa. Feridos de morte estão as grandes conquistas da sociedade neste momento, a democracia, o Estatuto da Criança e do Adolescente, Direitos Humanos e, sobretudo, as consciências. O artigo 185, do ECA, prevê que a internação decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional e, se não houverem recursos deverá ser encaminhada para a localidade mais próxima. Essa situação de negligência só poderia ser explicada pela usual e conhecida ‘teoria da invisibilidade’ do Estado. Explicando: no seu percurso de vida, a jovem jamais foi vista. Invisível à família, à comunidade e jamais atingida com absoluta prioridade pelas políticas de educação, saúde, lazer, cultura, profissionalização, dignidade, respeito, direitos assegurados pelo Art. 4 do ECA. Nas incursões pelas delegacias ela esteve invisível aos olhos da justiça, ignorada e inatingível pelas políticas públicas. Ela integra o grupo dos que só são visíveis pela infração ou infrações que comete. A sociedade não consegue ver de forma diferente, como gente e só observa a infração. Aí, limpa as paisagens, como fez, a exemplo, as escadarias da Candelária. Nossas crianças e jovens continuam ‘caminhando contra o vento sem lenço sem documento’, à deriva, nessa maré de perversidade. A invisibilidade parece ser o alto preço que pagam por terem nascido sem nome e sem endereço. Se a Terra fosse bem freqüentada seria um lugar bacana! Uma das teorias do VHTM, (ONG que prega a extinção humana como a melhor saída para a humanidade) é que, a partir do momento que pararmos de procriar, poderemos experimentar um período de saúde, felicidade e abundância de recursos. A omissão do conjunto da sociedade parece, no mínimo, adepta dessa teoria insana, semelhante aos grandes exterminadores do presente. CÁRCERE ‘PRIVADA’ Jovens, negras, pobres e vítimas de violência constroem o perfil das mulheres encarceradas. A Resolução 58/183 da Assembléia Geral da Onu, intitulada ‘Os Direitos Humanos e a Administração da Justiça’, recomenda que se preste maior atenção às mulheres que se encontram na prisão. São ignoradas também dentro do sistema prisional e não é só no Pará. Em São Paulo morrem nos presídios por contaminação de ratos, pombos e escorpiões. Implodiram o Carandiru porque não servia para os homens, no entanto 1,3 mil mulheres foram para uma ala do complexo ou do que deve ter sobrado depois da demolição. Elas se encontravam espalhadas nos cárceres pelo Estado, de acordo com a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres. DIREITOS ‘DESUMANOS’ Vivem o lado nefasto da desigualdade, mulheres e mães vitimadas da miséria extrema na qual estão inseridas, e da mais absoluta precariedade de condições para atuar frente às desigualdades. São seres humanos que se encontram encarcerados e vivem como animais em cativeiro, em condições da mais absoluta crueldade. Mulheres e filhos que vivem no ápice da exclusão social, apresentando altíssima vulnerabilidade decorrente de suas péssimas condições sócio-econômico e perfil sócio-biográfico, antes e após o encarceramento. É uma insuportável inércia que nos torna coniventes com essa triste realidade. DESCE DO BARCO A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), bem que podia ser a primeira a ter a decência de ‘deixar o barco do poder’, isso de acordo com a teoria da Ong VHTM. Admitir ser comum no estado que mulheres fiquem encarceradas junto a homens é inconcebível a chefe de estado. Informa o Jornal de Brasília que uma mulher de 26 anos, detida no mês passado devido a uma briga familiar, fZcou numa cela com 10 homens. E ainda, a governadora tem a ‘cara-de-pau’ em conclamar a sociedade à mobilização para acabar com essas práticas. Cobra isso como se a gestão carcerária fosse responsabilidade do povo. Choca constatar que autoridades também são mulheres... com relação ao barco, não se esqueça de convidar a juíza e o delegado.

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