Mais de 10 mil moradores do Jardim Dermínio, em Franca, despejam esgoto sem tratamento em um pequeno córrego que corta o bairro. O problema se arrasta desde a construção do bairro, na década de 1980. Em 2005, a Prefeitura inaugurou um sistema de captação e tratamento de esgoto, mas, meses depois, tudo foi destruído pelas chuvas. Não há dados sobre quantos litros de esgoto são jogados diariamente no local.
Além dos danos ambientais, a população sofre com o mau cheiro e o aparecimento de animais como escorpiões, baratas, ratos e insetos, principalmente, pernilongos. Todo esse problema parece ter passado despercebido às autoridades da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que não se cansam de defender que Franca tem 100% de esgoto captado e tratado.
O Dermínio foi loteado há mais de 20 anos. Nunca teve tratamento de esgoto. Em 2005, duas estações elevatórias (que separam o esgoto da água) e emissários (canos que conduzem o material até as estações) que atenderiam o bairro foram construídos. No total, mais de R$ 1 milhão foi investido pela Prefeitura, construtoras interessadas em áreas adjacentes - como os Jardins Bonsucesso e São Gabriel - e proprietários de bairros vizinhos.
A alegria dos moradores durou pouco. Menos de um ano após a inauguração, os emissários foram arrasados pelas chuvas do início de 2006. Tudo voltou ao que era antes. “Isso aqui é um nojo, um fedor que ninguém agüenta. Fora os bichos que sobem para as casas”, disse a vendedora Ivone Damasceno, 46. “Vivo desviando de baratas e escorpiões”.
Para piorar o quadro, os emissários não devem ser consertados tão cedo. A Sabesp só fará a obra depois que a Prefeitura fizer a drenagem e corrigir a erosão de uma grande área próxima ao córrego. E isso dificilmente será feito antes do primeiro trimestre do ano que vem por conta das chuvas. “As obras são rápidas, mas as chuvas devem retardá-las”, disse o engenheiro da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Davi Faleiros, que vistoriou o local na tarde de ontem.
A Cetesb, segundo Faleiros, tem conhecimento da situação e conhece os riscos de jogar o esgoto diretamente no córrego. Mas, de acordo com ele, não há solução rápida para a situação do Dermínio. “Evidente que prejudica (meio ambiente e população).
Vamos acompanhar para que esse problema seja sanado de forma definitiva”, disse, descartando a aplicação de multas à Prefeitura ou Sabesp. “Não cabe autuação porque atenderam prontamente a tudo o que solicitamos”.
POR QUÊ?
Além do sofrimento com a falta de esgoto, os moradores do Dermínio ainda são obrigados a pagar por um serviço com o qual não contam. Todos os meses, junto com a conta de consumo de água, vem cobrada a tarifa de esgoto. A chefe de setor JO, moradora no bairro há quatro anos, discorda da taxa. Sua conta, em média, é de R$ 36, sendo R$ 16 de esgoto. “Se não tem o serviço, como eles cobram? Metade do que pago na conta é um esgoto que não existe”, questionou.
O superintendente e o gerente distrital da Sabesp em Franca, respectivamente João Comparini e Rui Engrácia, foram procurados durante todo o dia de ontem pelos telefones da empresa e celulares para explicar a razão da cobrança e dizer o que a empresa fará para sanar o problema. Não foram encontrados.
O mesmo aconteceu com a secretária de Planejamento, Valéria Marson. Segundo uma funcionária que atendeu seu celular, ela estava em reunião com o prefeito Sidnei Rocha e responderia à ligação assim que desocupasse, o que não aconteceu.
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