Ao sair de casa, ontem à tarde, para tentar receber uma dívida de R$ 300 pela venda de pedras de crack, o desempregado Tiago da Silva Pinto, 20, não imaginava o que estava à sua espera. Ficou sem o dinheiro. Perdeu a vida. Foi assassinado com pelo menos 20 facadas dentro da casa do devedor. Wendel Ribeiro Beraldo, 19.
Assassino confesso, Wendel alegou que recebia constantes cobranças e ameaças. Por isto, decidiu matar. Apesar de ter cometido um crime bárbaro, responderá em liberdade por ter se apresentado espontaneamente à polícia. Foi o 14º homicídio do ano em Franca.
Jardim Santa Bárbara, zona sul da cidade, 14 horas. Tiago deixou sua casa disposto a acertar contas com Wendel, o “Alemãozinho”. O viciado havia comprado crack dele e se recusava a pagar. “Ele só falou que iria cobrar uma dívida do menino, mas não falou o que era. Minutos depois, moleques chegaram correndo e falaram que o Tiago havia sido esfaqueado. Fomos lá para dar socorro, mas ele já estava morto”, contou Letícia Denis Miguel da Silva, 19, namorada da vítima e grávida de dois meses.
O crime aconteceu no interior da residência número 1.311 da Rua Paulo Donizete Pereira, onde “Alemãozinho” mora. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu lá dentro. A única versão foi passada pelo autor do assassinato. “Eu estava dormindo quando ele pulou o muro e entrou. Me assustei com o barulho e fui para a sala, onde nos encontramos. O Tiago veio para cima de mim, dizendo que iria me matar. Peguei uma faca na cozinha e dei um golpe nele”.
Mas não foi apenas um golpe. Segundo a polícia, Tiago levou cerca de 20 facadas e não teve a menor chance de sobrevivência. “A vítima quase teve o pescoço decepado. Também foi atingida no peito, costas, barriga e nos braços”, contou o investigador Wellington Amato.
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A costureira de sapatos Zilda Aparecida da Silva, 45, mãe de Tiago, chegou antes mesmo dos policiais ao local do crime (a família mora na rua de cima) e se desesperou ao ver o filho morto. Na ânsia de reanimá-lo, o abraçou e ficou as mãos sujas de sangue. Indignada, permaneceu o tempo todo na rua e implorava para a polícia prender o assassino. “O certo era meu filho me enterrar e não eu enterrá-lo. Ele estava me ajudando a costurar sapatos e saiu. Não sei o que aconteceu. Estou arrasada e quero que a polícia ponha a mão logo no rapaz que fez esta maldade”.
A polícia não teve o menor trabalho. Antes mesmo de a perícia examinar o corpo no interior da residência, “Alemãozinho” já estava na delegacia. Acompanhado do pai, foi à sede da DIG e disse que havia matado Tiago. “Me arrependi do crime e resolvi me apresentar por livre e espontânea vontade. Ele vinha me ameaçando há muito tempo. Falava que iria me matar porque comprei crack dele e não paguei. Há dois dias, eu estava trancado em casa com medo dele”.
Por causa de uma brecha na lei, o assassino confesso foi liberado após prestar depoimento. “Tendo em vista que se apresentou e não foi surpreendido por nenhum policial, não temos como mantê-lo preso. Legalmente, estamos impedidos de formalizar o auto de prisão em flagrante, mas ele foi indiciado por homicídio doloso e poderemos pedir sua prisão preventiva”, explicou o delegado Wanir da Silveira, que classificou o crime como muito violento.
O corpo de Tiago será sepultado hoje, às 13 horas, no Cemitério Santo Agostinho, com trabalhos da Funerária Santa Bárbara.
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