Franca é a sétima cidade do Estado de São Paulo em acesso da população à rede de esgoto tratado. De acordo com pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), 96,97% dos moradores da cidade contam com a benfeitoria. O líder do ranking é São Caetano do Sul, com 98,1%. Alguns municípios da região também estão bem situados no levantamento. São Joaquim da Barra e Orlândia ocupam, respectivamente, a sexta e a décima colocações.
Outros, em compensação, como Restinga (274º), Jeriquara (298º) e Itirapuã (304º) ficam em posições preocupantes. É a primeira vez que a FGV realiza este tipo de levantamento no Estado.
Apesar da boa colocação de Franca em face das 645 cidades citadas na pesquisa, o percentual apurado é, ao mesmo tempo, motivo de alerta. Nos últimos anos, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e os políticos locais não se cansaram de dizer que a cidade conta com 100% de água encanada, coleta e tratamento de esgoto. Os quase 97% levantados pela FGV representariam, assim, um retrocesso no saneamento básico da cidade.
Embora o percentual de 3% pareça pequeno, em uma cidade com população superior a 330 mil habitantes, como Franca, ele significa que quase dez mil pessoas, o equivalente a um bairro bastante populoso, simplesmente não contam com os serviços da Sabesp para tratar o esgoto que produzem.
A direção da empresa confirmou o índice apontado pela pesquisa da FGV na cidade, mas defendeu que a situação está “sob controle” e que Franca permanece como referência em saneamento básico. “Não contesto o resultado de Franca”, disse o gerente distrital da empresa, Rui Engrácia Garcia Caluz. “Não houve queda. É 100% do possível”, completou.
Engrácia disse que em determinadas áreas há como levar água encanada, mas não tem como serem implantados sistemas de coleta e tratamento de esgoto. “Nas Chácaras do Centro Médico e do Recanto Fortuna têm água nossa e não tem esgoto, porque têm 5 mil metros quadrados. Vai pôr estação elevatória e rede num lugar desses? Fica inviável (financeiramente)”, afirmou o gerente.
NA REGIÃO
Em relação aos números apontados pela FGV para as outras cidades da região onde a Sabesp atua, Rui Engrácia foi crítico. Para ele, faltaram critérios na realização da pesquisa. “Você conhece Barrinha (2ª melhor do Estado, segundo a FGV)? Eu conheço. Precisam melhorar essa pesquisa. Restinga, Jeriquara e Serra Negra (470ª) não têm qualidade?. Todas têm. Barrinha não tem tratamento”, disse.
O responsável pela pesquisa, professor Marcelo Nery, foi procurado na tarde de ontem em pelo menos cinco oportunidades para explicar os métodos utilizados na pesquisa e repercutir as críticas de Engrácia, mas não foi encontrado e não respondeu às ligações telefônicas da reportagem até o fechamento desta matéria, às 22 horas.
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