O Ministério das Comunicações quer um conversor de TV digital a preço mais acessível que aquele oferecido pelas grandes empresas? É simples. Basta conferir ao “Vale do Silício” brasileiro - a cidade de Santa Rita do Sapucaí - as mesmas isenções da Zona Franca de Manaus.
A média de preços dos conversores de TV digital é de R$ 750,00, podendo chegar a R$ 1.200,00 de acordo com modelo e marca. O preço é alto. Os produtores alegam ser impossível baixá-los. Em Santa Rita, a SBT (Superior Technologies in Broadcasting), pequena empresa de eletrônica, prova que é possível reduzir significativamente esses preços, mesmo sem as isenções da Zona Franca.
O diretor comercial da STB, Armando Lemes, confirma ser impossível chegar aos R$ 250,00 defendidos pelo governo. Mas acha absurda a afirmação das grandes empresas, de que o preço não poderá ser inferior a R$ 600. A STB consegue fabricar conversores simples por algo entre R$ 350 e R$ 380; e conseguirá entregar conversores com mais recursos por menos de R$ 600.
Importa-se quase a totalidade dos componentes eletrônicos utilizados na fabricação. Sobre esse valor, acrescentem-se 30% referente aos impostos. São em torno de US$ 100 os componentes, US$ 30 os impostos.
O serviço de montagem é terceirizado, a um custo de US$ 8 por unidade. A produção diária de 200 aparelhos envolve a força de 25 pessoas em escala linear, em máquinas totalmente automatizadas. Por mês, essa estrutura pode produzir 6 mil conversores.
Computando tudo, mais margem de lucros, chega-se ao valor de US$ 140 como média de produção de uma unidade de conversor digital. Com um custo final em torno de R$ 256 na produção, não parece muito viável, em um primeiro momento, manter a faixa de preço para venda dos conversores entre R$ 350 e R$ 380, sem isenção de impostos.
Mesmo comprimindo bastante a margem de lucro, e sem ter a escala das grandes empresas, a diferença dos preços da STB é gritante em relação aos grandes fabricantes. Mas seus diretores garantem que são perfeitamente exeqüíveis.
Os conversores digitais da STB saem de fábrica com o processador ST7-100, de fabricação nacional. Ele comporta o sistema SBTVD, que permite a recepção do sinal digital aberto desde domingo, mas não conta com recursos que permitem interatividade. O mesmo processador comporta o sistema MPEG 2 (de compressão de imagens), mais avançado e utilizado no Japão, mas é impraticável para receber o sistema MPEG 4, como deseja o governo federal.
O processo de inclusão das empresas do Vale da Eletrônica na Lei da Informática - são 155 empresas do setor em uma região com 37 mil habitantes - está em negociação há cinco anos em Brasília, mas ainda não houve resposta. Os produtores acreditam, no entanto, que a tecnologia digital possa servir como impulso para que a região seja, finalmente, beneficiada pelo programa e possa manter altos níveis de inovação e desenvolvimento de novas tecnologias.
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