Progressão continuada?


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Se há uma coisa que me impressiona muito é o alinhamento dos políticos norte-americanos quando tratam da preservação do Estado. O próprio Al Gore, candidato derrotado pelo Bush filho em condições suspeitas, abdicou de uma disputa judicial para não prejudicar os Estados Unidos da América. Já no Brasil, os inimigos políticos trabalham contra, mesmo que sejam idéias geniais. É o caso do método de ensino. Vemos que o número de escolas de ensino fundamental que adotaram o sistema de progressão continuada (ou de ciclos) caiu, de 2005 a 2006, de 17,3% para 15,8%. Um absurdo, quando deveria estar crescendo rapidamente. O exame do SAEB do MEC já mostrou que a repetência não ajuda o aprendizado, antes é um dos fatores que mais prejudicam o desempenho do aluno. E em um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feito em duas avaliações internacionais de desempenho, observou-se que os países com melhores notas adotam o sistema de ciclos, e não a repetência por séries. E a diferença chega a ser de até 20 pontos a mais em favor da progressão continuada pura. A repetência é adotada pelos países menos desenvolvidos e com os piores desempenhos, como Indonésia, Líbano e Filipinas. A única exceção é a Bélgica que ocupa uma boa posição. Os países mais bem posicionados como Japão, Suécia e Coréia praticam a progressão continuada em todo o ensino fundamental e sem a reprovação em qualquer série desse ciclo. Já os países que ocupam posições intermediárias na pontuação admitem reprovar alunos no final dos ciclos, a cada quatro anos. Isso é parecido com o adotado no Brasil. Ou seja, nosso sistema ainda não é como o dos melhores países. Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais estão entre os Estados que mais adotam ciclos. Em São Paulo, são 61,3% das escolas, no Rio, 31,8% e em Minas, 41,5%. Temos ainda o Mato Grosso com 37,2% e o Paraná com 23,5%. Em São Paulo, a progressão está sendo duramente criticada desde as últimas eleições como a culpada pela educação ruim que se observa tanto na cidade como no Estado. Curiosamente, a primeira experiência com a progressão foi feita pelo PT, hoje o maior crítico, na gestão do educador Paulo Freire, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina (1989-1992), na época no partido. Já a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que vai ampliar a progressão até atingir todas as escolas do município. Este é um exemplo a ser seguido por prefeituras e estados do país. Se a sociedade brasileira rejeita por má influência de alguns setores, é preciso que políticos, igrejas e jornalistas colaborem para informar melhor as vantagens e desvantagens. Afinal, precisamos de Políticas de Estado e não Partidárias. MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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