Niemeyer e outros ‘camaradas’


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Neste 15 de dezembro, Oscar Niemeyer, o brasileiro classificado como a 9ª mais importante personalidade do mundo contemporâneo, completa 100 anos de vida. Quem não gostaria de ter a certeza de chegar aos 100? Principalmente se for para ser lúcido, dinâmico, respeitado e ainda ouvido, como o arquiteto. Oriundo do grupo de Lúcio Costa e Le Corbusier, que nos anos 30 implantou no Brasil a arquitetura moderna, Niemeyer tem suas obras plantadas pelo mundo afora, entre as quais a sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, o prédio do Partido Comunista Francês, universidades, igrejas, museus, teatros e parques. Seu grande trabalho, sem dúvida, é Brasília, mas Minas tem a Pampulha, São Paulo o Edifício Copan, o Parque do Ibirapuera, o Memorial da América Latina e outros. O traço, ousado e suave, busca reproduzir as montanhas e a liberdade do homem, faz o mundo mais bonito e está presente em todos os quadrantes brasileiros, diretamente ou por aqueles a quem inspira. “De esquerda”, membro do Partido Comunista, o arquiteto é o exemplo vivo de que as realizações do indivíduo contam mais que sua ideologia. Jamais usou a violência para impor suas idéias! Mesmo vivendo durante todo o vigor do macartismo, que perseguiu milhões de indivíduos não alinhados aos ideais direitistas, conseguiu destacar-se pela sua obra. O estereótipo da Guerra Fria, que dividiu o mundo, caiu em 1989, junto com o muro de Berlin. Desde então, procuram-se novas formas de desenvolvimento e convivência. Só os mais radicais ainda conservam o ranço político-ideológico. Há, em contrapartida, casos em que o ideológico de ontem até exagerou ao assumir novas posições. A longevidade faz de Niemeyer um representante de centenas de brasileiros que fizeram nossa história, apesar da intolerância vigente ao longo de suas vidas. Assim também foi com Cândido Portinari, Jorge Amado, Di Cavalcanti e muitos hoje vistos como grandes expoentes. A rotulagem ideológica, de ‘esquerda’ ou ‘direita’, é puro retrocesso. O importante é a ação do indivíduo. O Estado, inclusive o brasileiro, dispõe de leis que regulam o seu funcionamento. O pensar é livre. Nada impede o cidadão de levar seu raciocínio até as últimas conseqüências. O que não é permitido é a ação em desacordo com a lei. Portanto, hoje, “comunistas” como Niemeyer, Amado e outros da estirpe, são muito bem-vindos. O inaceitável é a transgressão legal, a violência, o ódio, a corrupção e a impunidade, independentemente do perfil ideológico do transgressor... TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo (ASPOMIL)

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