Histórias do Papai Noel


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Os irmãos Guilherme Florêncio Santos, 7, e Alexandre Florêncio Santos, 3, pensam no que vão pedir ao Papai Noel, ou na vida real, Carlos D’Ângelo
Os irmãos Guilherme Florêncio Santos, 7, e Alexandre Florêncio Santos, 3, pensam no que vão pedir ao Papai Noel, ou na vida real, Carlos D’Ângelo
Eles passam pelo menos sete horas por dia ouvindo pedidos e desejos para este Natal. Trabalham com uma roupa bem pouco confortável para esta época de calor, mas garantem que estão satisfeitos e adoram o trabalho que exercem. Eles são os Papais Noéis do Franca Shopping, Shopping do Calçado e da casinha instalada pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) no Centro. Esses profissionais atendem juntos cerca de 3,5 mil crianças e adultos por dia. Eles não revelam quanto recebem pelo trabalho, mas contam que vivem momentos de diversão, emoção e suor às vésperas do Natal. Carlos D’Ângelo, 57, abraçou a profissão de Papai Noel pelo 11º ano. Ele começou de repente. “Fui convidado porque faltava um Papai Noel de verdade nos shoppings de São Paulo. Na época, já tinha barba grande e faria o papel por um dia, mas aí me apaixonei e não parei mais”. Como a barba dele é grossa, ele a deixava crescer, o que acabou contribuindo para que o convite de trabalho fosse feito. Antes, ele precisava descolorir os pêlos pretos, mas há oito anos ficou mais fácil encarnar o principal personagem natalino. “Os pêlos já nascem brancos. Em mim, a barba, os cabelos compridos e barriga são todos de verdade”. Técnico em eletrônica autônomo, Carlos “abandona” o ofício que exerce nos outros meses do ano para, em dezembro, receber o registro de Papai Noel. É de Cristais Paulista e viaja todos os dias para atender as crianças na Praça Nossa Senhora da Conceição. São doze horas seguidas de trabalho. “É apertado, mas compensador. Ver o brilho nos olhos das crianças e a empolgação dos pais é fascinante e me dá mais energia para prosseguir”. Às vezes, os pais se empolgam mais que a garotada. “Os meninos costumam puxar a barba para confirmar se é de verdade. Se não o fazem espontaneamente, a mamãe ou o papai fala para fazerem o teste. A ordem é atendida na hora”, brincou. Para quem decide incorporar Noel não bastam a barba (geralmente artificial), roupa vermelha, cinto e bota pretos. Uma toalhinha para enxugar o suor e o ventilador ligado direto são outros acessórios essenciais. Carisma também é outra exigência a ser atendida. “Gostei das cócegas que ele fez. Dei um beijo nele e pedi para me dar uma mochila rosa de rodinhas para eu ir para a escola. Ele falou que vai me levar lá em casa”, encanta-se Camily Batista, 4. O sapateiro desempregado Sebastião da Silva é outro a assumir o traje vermelho no mês do Natal desde os 62 anos de idade. Hoje, aos 67, diz que, enquanto viver e tiver saúde, será Papai Noel. Até 25 de dezembro, passará oito horas diárias posicionado em seu trono no Franca Shopping para recepcionar as crianças. Na opinião dele, paciência é outra virtude nesta profissão. “Adoro crianças, lidar com elas, mas quem decide trabalhar com esse público tem de ter calma e paciência”, disse. Ele diz que não se irrita quando puxam sua barba (artificial) ou choram para não irem no seu colo. “Acho normal e já estou acostumado”. INESQUECÍVEIS Os Papais Noéis ouvem, em média, 3,5 mil pedidos de Natal por dia. Dificilmente conseguiriam decorá-los, mas alguns são tão emocionantes ou inusitados que não saem de suas mentes. Só neste ano, a lista já inclui uma fazenda, um frango assado, saúde e felicidade para todo o mundo ou uma aranha e uma cobra de verdade. Os animais nada convencionais, especialmente para uma criança de 5 anos, foram pedidos ao Papai Noel que fica na casinha do Centro. “Acabou de sair um garoto de 9 e um de 4 que pediram para os pais voltarem a morar juntos. É isso que queriam ganhar de Natal. Nem sabemos o que dizer nessas horas”. Quem quiser fazer suas solicitações poderá visitar o Papai Noel no Centro, Franca Shopping ou Shopping do Calçado até dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Os horários de atendimento são variados.

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