Só em 2006, mais de 5 mil novos francanos vieram ao mundo. Foram crianças que nasceram em uma das três maternidades da cidade - Santa Casa, Hospital São Joaquim/Unimed e Regional. A maioria por meio de partos cesarianos. Para alguns médicos, o percentual, que chega a quase 52% no total (dos 5390 nascimentos do ano passado, 2797 foram por procedimento cirúrgico), é alto. Se a análise for feita apenas em relação aos hospitais particulares, o índice aumenta mais: oito em cada dez mulheres que tiveram seus filhos no ano passado optaram por cesárea.
O ginecologista e obstetra Luiz Carlos Barcelos confirma que, na cidade, a quantidade de cesáreas é grande e aponta o medo como o principal motivo da preferência. “Nesse caso, a estética não faz diferença. As pacientes têm medo de sentir dor, de não encontrar o médico e passar da hora de ter o bebê, por isso escolhem a cesárea”.
A rede particular de saúde é a grande responsável pelos altos índices. Dos 1692 partos realizados em 2006, 1368 foram por procedimento cirúrgico. Já na rede pública é diferente, apenas 35% dos partos realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) não são normais. “Há essa diferença porque na rede privada o paciente tem opção de escolher, já na rede pública infelizmente não. Lá, tem um número limitado para as cesáreas”, disse Barcelos.
A médica e coordenadora da unidade materno-infantil da Santa Casa de Franca, Gleise Moraes, disse que não é bem assim. “A gente incentiva o parto normal porque sabe que ele é o melhor (veja as vantagens e desvantagens no quadro ao lado). Nos hospitais particulares, as cesáreas são maioria porque as mulheres não querem sentir dor, podem escolher o horário do parto e acaba sendo mais caro”.
De acordo com o diretor-financeiro do Hospital Unimed, Lúcio Coffi, a cesárea realmente custa mais caro que os partos normais, mas isso não é repassado para os clientes. “O Plano Maternidade (que inclui o quarto, médico e o parto propriamente dito) mais barato custa mais ou menos R$ 1,6 mil para não-conveniados, independente se o parto for normal ou cesárea”, disse, e ainda ressaltou que, para a operadora, a diferença chega geralmente a 30%. “Isso acontece porque temos mais despesas com internação, equipe médica e sala cirúrgica. Para o cliente não muda nada”.
POLÊMICA
Cada vez mais mulheres optam pela cesárea, embora muitas nem condenem essa prática. Para Barcelos, que trabalha na área há 20 anos, não há nada igual ao parto normal, mas ele disse que respeita o direito que suas pacientes têm de escolher. “Defendo o parto normal, mas se a paciente não se sente segura ao enfrentar esta prática, tem mais é que escolher a cesárea mesmo”.
Para ele, não há uma opção que seja melhor que a outra, porém a escolha deve ser feita com responsabilidade para não colocar em risco a saúde da criança ou da mãe. Gleise tem outra opinião. “O parto normal é a melhor opção, a cesárea não é um ato tão simples assim”.
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