Depois da baixa, empresas tentam se recuperar


| Tempo de leitura: 2 min
RETOMADA - Imagem de arquivo mostra setor de produção da Samello parada. Empresa quer retomar atividades em janeiro
RETOMADA - Imagem de arquivo mostra setor de produção da Samello parada. Empresa quer retomar atividades em janeiro
Das 760 fábricas de calçados existentes em Franca, só 13 empregam mais de 500 funcionários. Entre elas, também, cerca de 500 produzem até mil pares por dia. São pequenas e médias empresas, isoladamente, empregam pouco e têm sua produção voltada para o mercado interno, já que não possuem mecanismos, dinheiro nem condições suficientes para se aventurar a buscar clientes em outros países. Mesmo entre as grandes exportadoras, notícias de dificuldades são comuns. Nessa categoria estão incluídas a quase extinta Samello e agonizante Agabê. As duas, além de grandes empregadoras, tornaram-se sinônimo de calçado masculino. A primeira mais que a segunda. A Samello passou por sucessivas crises até que no final de 2005 os acionistas decidiram tirar a direção que havia sido empossada e colocar Miguel Sábio de Mello no comando da empresa. Sua função, aparentemente, foi de fazer a transição para o encerramento das atividades. Dona de uma marca que ainda é a mais lembrada do mercado, a Samello fechou sem pagar funcionários e fornecedores. Deve, segundo o próprio Mello, voltar a produzir no final de janeiro do ano que vem. Ao elencar os fatores mais determinantes para a crise em sua empresa, disse que variação cambial, inflexibilidade dos custos de produção, carga tributária e encargos são os principais. As dificuldades administrativas também pesaram. Entre 2003 e 2004 a Samello passou por uma administração profissional que não deu resultados e não salvou a empresa, o que levou a família a retomar o controle. Mas o pior, disse o empresário, foi a valorização do real frente à moeda americana. Como exemplo, falou da exportação de um par de sapatos de US$ 30, quando a cotação estava três por um: “Nessa época eu recebia R$ 90 reais por par, sendo que nos últimos meses, não chegava a R$ 55. Não adianta eu querer que o comprador cubra a diferença porque ele não fará isso”. Miguel Sábio concorda que a indústria de ponta sempre deu preferência para o mercado externo, já que, internamente, encontrava um consumidor limitado. A Samello volta moldada para uma nova fase da empresa, com produção pequena e produtos de alto valor agregado. “Creio que essa seja a nova realidade de qualquer grande empresa”. Para Miguel Betarello, da Agabê, é provável que a indústria calçadista de Franca passe por intensas transformações, mas o seu fim não é plausível. Em sua opinião, a nova empresa de calçados deverá, obrigatoriamente, ser pequena, com uma produção limitada, mas com produtos voltados para um seleto consumidor, aqueles convencionados em classes C, D e E. “A indústria não desaparecerá totalmente. O que vai ocorrer é uma mudança de gestão e na forma de produzir”, disse Betarello. Após desistir de encerrar a fabricação na unidade de Franca, o empresário disse que a Agabê vai fugir do mercado dominado por grandes magazines. O alvo, afirmou o empresário, serão os clientes com maior poder aquisitivo, no Brasil e no exterior.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários