Quem não conhece a história e vê Aparecido Maldonado nos corredores do seu supermercado, pode pensar que o negócio é novo, dado o seu empenho. O apoio dos funcionários e dos três filhos não altera a rotina do comerciante, que trabalha mais de 14 horas por dia. O primeiro negócio surgiu em 1957, quando Aparecido abriu uma pequena quitanda que, ao longo de 50 anos, transformou-se em um dos mais tradicionais supermercados da cidade: o Supermercado São Paulo, na Avenida Presidente Vargas.
Com o empenho nos negócios, Aparecido conseguiu criar e custear a faculdade dos filhos. Tem orgulho do sítio que adquiriu, local onde hoje passa os (raros) momentos de lazer com a mulher, Maria Norma, os filhos e os netos. Ele não fala do patrimônio que conquistou ao longo dos anos, mas uma coisa é certa: seu supermercado é um dos mais conhecidos e freqüentados na cidade.
Para conquistar o queria, o comerciante começou a trabalhar cedo.
Aos 7 anos já ajudava o pai e cinco irmãos na lavoura de café em uma fazenda localizada na estrada velha Franca a Batatais, onde eram colonos. “Naquela época precisava fazer todo tipo de serviço desde pequeno”, conta.
Apesar do trabalho árduo na lavoura, Aparecido conseguiu concluir a 4ª série na época (equivalente à 8ª série do ensino fundamental atual). Aos 15 anos, sua família se mudou para Franca e ele foi trabalhar como atendente em uma banca de verduras no antigo mercadão. “Quando o mercadão fechou, a feira se mudou para a Praça João Mendes, onde fiquei por dois anos”. Nesse período, Aparecido tomou gosto pelo negócio e decidiu ter sua própria banca de verduras. “Era um mercadinho humilde na Presidente Vargas em que fiquei de 1957 a 1960. Depois passei para a esquina, em outro ponto e, finalmente, em 1969, fomos crescendo, graças a Deus e a ajuda do povo francano. Então, construí um pequeno supermercado na avenida, onde estou até hoje”.
O crescimento nos negócios e o reconhecimento dos clientes, Aparecido atribui não só ao seu esforço, mas ao da mulher, Norma - com quem se casou em 1966 -, e dos filhos que hoje administram o supermercado. Apesar da ajuda, o comerciante ainda é o primeiro a chegar no local e último a sair. Ele atende fornecedores, coloca mercadorias no lugar e orienta os mais de 20 funcionários. “Trabalho de 14 a 16 horas por dia. Nos domingos atendemos até as 21 horas”.
O esforço da família no trabalho explica por que o supermercado é um dos primeiros a serem lembrados pelos consumidores quando falta algum item em casa. “Teve domingos que eu precisei comprar alguma coisa no meio da tarde e foi para lá que corri. Ainda vou”, disse o aposentado Osmar Santos, 65.
Com a instalação de redes multinacionais, como o Wal Mart e Carrefour, e a abertura de supermercados regionais na cidade, os domingos, que eram de abertura exclusiva do senhor Aparecido, agora são mais disputados, mas ele garante que a concorrência só o faz melhorar nos negócios. “Isso nos força a trabalhar cada vez melhor e a oferecer maior diversidade de produtos. A concorrência é saudável. A cidade cresceu e temos que nos acostumar com isso”.
E O LAZER?
Com tantas horas dedicadas ao trabalho, fica a pergunta: existe tempo para lazer na vida do senhor Aparecido? Ele é incisivo: “Sim. Sempre gostei de assistir a partidas de futebol, vou para o sítio com a família e também fico em casa vendo televisão. Meus filhos saem mais, viajam e passeiam bastante, mocidade é assim mesmo, né?”
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Não perca também trechos exclusivos e detalhes da entrevista no Jornal de Domingo, às 8 horas, e no Jornal da Manhã, às 6 horas desta segunda, ambos na Difusora AM 1030 kHz.
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