Mil famílias que moram nos conjuntos habitacionais do Parque Vicente Leporace vivem em perigo com a falta de um equipamento básico de segurança: o extintor. Dos 63 blocos com 16 apartamentos cada, há apenas 20 extintores dentro das normas legais de uso. O número ideal deveria ser de 508, ou seja, dois a cada andar. Levantamento feito pela reportagem do Comércio constatou ainda que há outros 121 equipamentos nos condomínios, mas estão vazios ou com prazo de validade vencido.
A insegurança dos moradores não se restringe aos extintores. A reportagem encontrou ainda nos conjuntos habitacionais a falta de outros itens como antena de pára-raios, luzes de emergência e corrimão nas escadas. “Pagamos tão caro nas prestações e não temos ninguém para fiscalizar. Vivemos na insegurança”, desabafa Maria Marques, moradora.
Um jogo de empurra marca a responsabilidade pela fiscalização. O Corpo de Bombeiros informou que a corporação só faz a notificação quando informados pelo síndico ou CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). “Não podemos ir até o local se não houver um projeto”, disse o tenente Castilho. Ainda de acordo com o oficial, é a Prefeitura quem tem de cobrar e motivar a fiscalização.
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Na Prefeitura, a informação é outra. Ismael Antônio Xavier Filho, chefe da Divisão de Fiscalização de Obras e Posturas, disse que a proteção contra incêndio parte dos bombeiros. “Se tem alguma pessoa que está se incomodando com os extintores fora do prazo de validade, os bombeiros têm que ir lá verificar e intimar. O síndico tem obrigação de deixar tudo funcionando, mas a partir do momento que há uma queixa eles devem visitar o local”. Vanderlei Tristão presidente da Prohab (Programa Habitacional) de Franca, órgão vinculado à Prefeitura, concorda: “Os imóveis são entregues dentro das regras e os bombeiros deveriam ir até o local notificar os moradores”.
Já os moradores, que não sabem a quem procurar, reclamam. “Tenho medo que aconteça algum incêndio e a gente não tenha como se defender”, disse a aposentada Maria José dos Santos, moradora há 14 anos no local. Temendo a mesma situação, Wesley Fernando de Souza comprou e guardou um extintor em casa. “Guardo um para mim porque pessoas de fora entram aqui e roubam os equipamentos, além disso nunca vimos ninguém vistoriar os extintores”.
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