O perigo na ponta da língua


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É sábado. Você está caminhando pelo calçadão da cidade, bate aquela fome e, então, decide comprar um salgadinho para comer. Entra na primeira lanchonete que vê e percebe que aquele enroladinho de salsicha exposto no balcão não está tão atraente como você imaginava. É. Infelizmente muita gente já foi vítima do descuido por parte dos comerciantes e pela falta de higiene em estabelecimentos que comercializam produtos alimentícios. A reportagem do Se Liga saiu às ruas e bastou uma rápida circulada pelo Centro de Franca para flagrar graves problemas. Um dos mais absurdos foi um vendedor de churros que, ao retirar os restos de comida do balcão de sua barraca, ergueu o latão de lixo do chão, encostou-o no balcão e puxou a sujeira para dentro do recipiente. Outros erros encontrados foram de vendedores de salgados sem toucas (para evitar quedas de cabelo nos alimentos), máscaras e luvas e, para piorar, usando acessórios “anti-higiênicos” como anéis, colares e brincos, que podem contaminar as comidas. Foram vistos ainda sujeira no chão e cestos de lixo sem tampa próximos aos alimentos. De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária, Fernando Baldochi, a maioria das contaminações vem dos comerciantes, mas este tipo de situação não deveria acontecer. Para evitar, a Vigilância faz sua parte. “Sempre que um ponto comercial é aberto nós fazemos a fiscalização do espaço para ver se o ambiente é apropriado. Nessa visita, o proprietário ainda recebe orientações para manter o local dentro das normas de segurança alimentar”, disse. Entre as determinações da vigilância estão a limpeza e higiene de artigos, utensílios e superfícies do estabelecimento, cuidados com a procedência dos alimentos e conservação tanto dos ingredientes, quanto do produto acabado. “Comprar bem, manipular os alimentos em local limpo e bem cuidado e guardá-los adequadamente são normas básicas e obrigatórias”. O tempo máximo de armazenamento de salgados depende muito do recheio e do tempero usados. “A média para uma coxinha, por exemplo, é de 60 graus ou mais, e não deve ficar por mais de um dia à venda”. Baldochi explica ainda que o uso de luvas, toucas e máscaras é obrigatório, principalmente no preparo do alimento. Mas usá-los o tempo todo pode ser prejudicial. “As pessoas acham que estar de luva é o bastante, mas se esquecem que, ao pegar dinheiro ou tocar o cabelo, ela fica contaminada e, a partir daí, o item, que é de segurança, não faz a menor diferença”. Caso a vigilância encontre esse tipo de situação, pode multar e até fechar o estabelecimento. As multas são aplicadas conforme o código sanitário do município. “Elas vão de R$ 10 mil a R$ 90 mil, mas isso depende do processo, do agravante e dos riscos. Essa semana, por exemplo, tivemos que fechar uma mercearia por estar totalmente inadequada às normas”. Segundo Baldochi, não existe uma regra que disciplina o número de vezes mensais ou anuais que a vigilância deve atuar. “Geralmente, fiscalizamos quando há alguma denúncia ou reclamação, assim como quando é aberto o estabelecimento. Já a fiscalização dos vendedores ambulantes é dever da secretaria de governo”. Lugares que vendem comida não devem acumular sujeira no chão, isso também é uma regra sanitária. Ratos a baratas gostam desse desleixo. “Quanto mais sujo estiver o ambiente, mais propenso a doenças ele estará e é obrigação do dono limpar. Se o consumidor perceber qualquer irregularidade não deve comer nem beber nada no local e deve entrar em contato com a vigilância”. As pessoas não se preocupam com as conseqüências destes atos, mas consumir alimentos com validade vencida, fora da temperatura ideal, exposta por muito tempo e ainda em contato direto com bactérias encontradas em utensílios ou partes do corpo pode ter conseqüências desastrosas. Dentre elas o aparecimento de doenças diversas, como diarréia, vômitos e náuseas, a problemas estomacais e intoxicação alimentar. SERVIÇOS O horário de funcionamento da Vigilância Sanitária é de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Informações ou denúncias pelo telefone (16) 3711-9415. Colaborou: Ana Carolina Costa

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