Enquanto boa parte da população descansava durante as comemorações do aniversário de Franca, presos da cadeia do Jardim Guanabara trabalhavam. Mesmo sem ter ferramentas próprias, arrebentaram concreto e cavaram um extenso buraco. Quando iriam desfrutar da obra, a polícia chegou e estragou tudo. Mais uma vez, a atenção dos carcereiros foi decisiva para evitar uma fuga em massa. Outra vez, a direção reagiu com firmeza e cortou as regalias dos detentos. Foi a décima tentativa de fuga este ano no cadeião.
Durante a madrugada de ontem, policiais ouviram barulhos vindos da direção do xadrez 11. Ao constatarem que os presos estavam abrindo um túnel para tentar fugir, comunicaram o fato à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e ficaram em alerta. Por volta das 7 horas, notaram uma mão segurando um espelho sobre a calçada existente fora do pavilhão de celas, mas ainda na área interna da cadeia. Era um dos presos usando a engenhoca para ver se havia alguém por perto.
Havia. Segurando armas e bombas de efeito moral, policias esperavam os presos finalizarem as escavações e saírem da toca. Nada de boas-vindas. Rebateram a tentativa de fuga com tiros de advertência e borrifadas de gás pimenta. Surpreendidos com a recepção, presos que já estavam no interior do túnel tiveram que se contorcer dentro do apertado buraco e voltar para a cela.
O X-11, de onde partiu o túnel, abrigava 15 detentos, acusados de roubo, tráfico e homicídio. Todos poderiam ter escapado caso não fosse a descoberta do plano. Teriam apenas que caminhar cerca de dez metros, pular o muro e escapar pela Rua Abrão Jorge, nos fundos do presídio.
Como é praxe nestes casos, os policiais ocuparam a cadeia na seqüência e fizeram uma varredura nas celas para ver se havia outros túneis ou objetos que pudessem ser usados em tentativas de fugas. “Havia apenas os buracos que ligam um xadrez a outro, que eles chamam de ‘internet’, mas nenhuma outra abertura por onde pudesse passar uma pessoa. Interditamos a cela 11 até que os reparos necessários sejam feitos”, disse o delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia.
Durante a revista, a polícia apreendeu telefones celulares e porções de maconha no interior das celas. Apesar de frustrada, a tentativa de fuga custará caro aos presos. “Como sempre, vão pagar pelo que fizeram. Já tirei todos os chuveiros elétricos, que vinham dando problema na cadeia por causa da sobrecarga de energia. Como está bastante calor, eles podem tomar banho durante o dia”.
A direção do presídio também cortou a visita e a entrega de sacolas com alimentos e produtos de higiene pessoal neste fim de semana. A punição será para todos os presos. “Um fez, todos pagam”, finalizou Eduardo Bonfim.
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