Hora da retomada


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A Samello, parada desde 16 de outubro de 2006, voltará a produzir em janeiro de 2008. É um retorno discreto, sem alarde. As contratações, entre 50 e 60, não causarão grande impacto no setor calçadista, mas os 300 pares diários que a empresa quer produzir devem significar muito para o setor calçadista. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do grupo, Miguel Sábio de Mello Neto. Embora a meta inicial seja discreta e distante dos 12 mil pares que a empresa chegou a fazer diariamente, a notícia dá novo fôlego ao setor calçadista. Os 300 pares somar-se-ão a outros 700 produzidos diariamente por empresas terceirizadas que alimentam a franquia da marca. A intenção é fechar 2008 com produção total próxima a 2 mil pares/dia com o selo Samello. O local da fábrica será mantido. O barracão da Rua General Osório comportará a linha de produção, já que o maquinário recebe manutenção rotineira e está em plenas condições. A diferença é que a Samello funcionará integrada a outra empresa do grupo, que fabrica solados e pré-fresados. “Vamos transferir a Vaccaro para junto da matriz. Ajudará a enxugar despesas”, disse Mello Neto. A coleção da Samello já está, inclusive, em desenvolvimento. Modelistas internos e contratados estão trabalhando nas novas coleções, que já estão sendo oferecidas no mercado por oito representantes comerciais. A idéia é que a equipe seja de 12 pessoas até o ano que vem. “É o suficiente para chegarmos a uma produção de até 2 mil pares por dia”, afirmou Mello. Apesar da humildade em relação à retomada, a direção da Samello faz questão de não “perder a pose” em relação à qualidade de seus produtos. As coleções continuarão tendo público-alvo de alto poder aquisitivo. “Buscaremos clientes que dão preferência a calçados com alto valor agregado”, disse. “Primeiro no mercado interno e depois, novamente, no exterior”. BONS OLHOS O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, afirma que o retorno da produção da Samello beneficiará todo o setor. “Há uma importância política grande nisso. A Samello, em meio à crise e recuperação judicial, conseguir voltar ao mercado dá credibilidade para todo o setor, além de gerar empregos”.

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