Nada pior que a nudez moral. Nada mais constrangedor do que a nudez de bom senso. Nada mais infame que a nudez de “simancol”. Duvida? Então vejamos!
Por ocasião do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Comunidade GLBTT – gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros –, no dia 24 de outubro, o ilustre deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), organizou no plenário da Assembléia Legislativa do Estado um evento pra lá de inusitado.
No refrigerado plenário Dom Pedro I, de calcinha e sutiã um homem – transformista –, convidado pelo nobre deputado, apresentou-se para uma platéia de deputados e deputadas eleitos pelo povo de São Paulo. O espetáculo teve direito a decoração com faixa e balões de gás nas já tradicionais cores da comunidade GLBTT.
No País de tolos, por alguns minutos o prédio da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo converteu-se num sombrio e nebuloso espaço cultural.
O desempenho do transformista durante sua apresentação deve ter provocado pensamentos interessantes em nossos nobres deputados. Fetiches à parte, fico eu aqui a pensar, como deve ter sido interessante assistir a tudo aquilo. Fico imaginando o quando deve ter sido útil para os nobres deputados e deputadas presenciarem tal apresentação.
Muitos poderão pensar que há preconceito no que escrevo. Nada disso. Muito pelo contrário, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros, todos têm o meu respeito. Mas me permitam questionar - era mesmo necessário levar ao plenário da Assembléia Legislativa um homem, digo um transformista, de calcinha e sutiã? Que serventia tem tal espetáculo se o poder público realmente reconhece as demandas da comunidade GLBTT? Ou não as reconhece? Afinal de contas, os homens responsáveis pelas políticas publicas desse País precisam usar o espaço público da casa de leis do estado como palco para apresentações dessa natureza para só então compreenderem os direitos da comunidade GLBTT? É preciso expor o eleitor, pagador de impostos e de mordomias parlamentares a tal insulto? Com que finalidade? Qual o resultado prático em prol da comunidade GLBTT o inusitado evento promoveu?
Sinceramente, considerando-se determinados fatos que ocorrem nos subterrâneos da política brasileira é melhor que a comunidade GLBTT tome mais cuidado com os lugares em que expõe suas peculiaridades, sob pena de ter sua imagem denegrida.
ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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