O novo papel do Ipea


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Em qualquer país avançado, o papel das instituições de inteligência é prospectar o futuro, identificar vulnerabilidades e oportunidades, alianças e conflitos, trabalhar com horizontes de décadas, não de semanas. Essa deverá ser a principal diferença entre o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômico Aplicadas), como era antes, e como deveria ser a partir de agora. Em recente artigo, Antonio Delfim Netto - convidado para fazer parte do Conselho Deliberativo do órgão - tratou da questão da Segurança Nacional como um passo além do conceito corrente de Defesa Nacional. Todas as nações buscam três formas de autonomia, escreveu ele: a energética, a alimentar e a militar. É essa lógica que pauta igualmente a construção dos grandes blocos de países. Por isso mesmo, acredita ele, dificilmente a Rodada de Doha (que prevê o fim dos subsídios agrícolas) terá sucesso, como dificilmente haverá um mercado internacional de etanol . Os investimentos maciços dos EUA no etanol celulósico demonstram que a visão estratégica de sobrepõe à econômica. O Brasil ainda não entrou no estágio de dominar a ciência da Política Internacional, algo complexo que exige visão econômica, geopolítica, estratégica, militar, diplomática e conhecimento histórico. Os EUA chegaram a esse estágio, de maneira plena, apenas após a Segunda Guerra Mundial. Mas antes disso, em pleno século XIX, já tinham uma noção clara sobre as estratégias a adotar para se livrar do domínio comercial britânico sobre o Atlântico. A China avança sobre a África, para tratar de suas vulnerabilidades de matéria-prima. A Europa se fecha em bloco, com as mesmas intenções. Os desafios brasileiros são amplos, do tamanho das nossas carências e possibilidades. Pensar o Brasil daqui a dez anos como superprodutor de petróleo, como produtor de energia renovável, como mercado de massas, como líder na América Latina exige um nível de conhecimento que ainda não foi suficientemente incorporado pela inteligência brasileira - e, por enquanto, é praticado por algumas poucas instituições acadêmicas. Por exemplo, como preparar a matriz energética nos próximos 20 anos, para que o País não perca as vantagens competitivas de que dispunha, de energia hidrelétrica barata? Como integrar regiões da América Latina, para criar novas frentes de desenvolvimento? Como montar a logística pela Amazônia, que permita o transporte intermodal para o sul dos EUA? Perto da complexidade desses desafios, parecia piada que a grande repercussão dos trabalhos do IPEA se restringisse a análises recorrentes sobre conjuntura e déficit público. Caberá ao órgão começar a pensar o futuro. Não se espere essa missão da Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo, de Roberto Mangabeira Unger. Trata-se de um brilhante advogado, com conhecimento profundo em Direito, noções básicas sobre fatores de desenvolvimento, e pouca paciência e humildade para promover idéias que não sejam dele próprio. AÇÕES BM&F O pequeno investidor de varejo que fez pedido de reserva entre R$ 5.000 e R$ 300 mil para as novas ações da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) ficou com apenas R$ 1.820 em papéis, o equivalente a 91 ações por CPF, na operação de abertura de capital que mais despertou o interesse do investidor pessoa física. Como na oferta da Bovespa, quem foi considerado “sem prioridade” - aquele que vende as ações logo após o início das negociações - ficou sem ações. Apostando em valorização rápida dos papéis, como aconteceu quando as ações da Bovespa subiram 52% já no primeiro dia de negociação, possivelmente mais de 200 mil pessoas teriam feito pedido de reserva de ações da BM&F. Os números finais sairão na próxima semana. A oferta da própria Bovespa teve adesão de 63.929 pessoas físicas. O mercado acionário brasileiro tem 310 mil contas de pessoa física. As regras do Novo Mercado da Bovespa estabelecem que entre 10% e 20% das ações ofertadas devem ir para o varejo, o que faz com que a demanda supere em muitas vezes os papéis disponíveis para pessoa física. No caso da BM&F, a demanda teria sido dez vezes maior que a oferta. O restante dos papéis vai parar nos fundos e gestores de investimentos nacionais e estrangeiros, chamados investidores institucionais. ISENTO DE IR Cerca de 4 milhões de contribuintes deixaram para o último dia a entrega da declaração do IR de isento deste ano - o prazo termina hoje. Até ontem, a Receita Federal já havia recebido 60,28 milhões de declarações - o órgão prevê receber cerca de 64 milhões de documentos neste ano. A declaração de isento tem como finalidade a confirmação do número do CPF pelos contribuintes não obrigados a entregar a declaração anual do IR. A declaração deve ser feita pela pessoa física que tem CPF e que, em 2006, ganhou até R$ 14.992,32 (trabalho assalariado, aposentadorias, pensões, aluguéis ou atividade rural). Também tem de entregar quem é dependente de declarante do IR, tem CPF próprio, mas não constou da declaração entregue pelo titular neste ano. Está dispensado de entregar a pessoa física dependente cujo CPF já foi informado na declaração entregue pelo titular neste ano; a pessoa física inscrita no CPF em 2007; e a pessoa física dispensada de apresentar a declaração de ajuste mas que já a entregou neste ano.

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