‘Não sou durão’, diz padre José Geraldo Segantin


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Pároco da Catedral, que aos fins de semana recebe, em média, 5 mil fiéis, padre José Geraldo Segantin se considera uma pessoa de poucos sorrisos, mas diz que como sacerdote também tem um coração misericordioso e compreensivo. Em seu escritório, anexo à Catedral, ele recebeu a reportagem e falou um pouco de sua relação com Franca. Confira: Comércio da Franca - Quando o senhor veio para Franca, recém-ordenado, conhecia a cidade? Padre José Geraldo Segantin - Um ano antes da minha ordenação, vinha para Franca todos os fins de semana para ajudar na Catedral. Meu contato com a cidade era mínimo. O único contato que tive antes foi quando saiu uma nova geração de máquina de tricô e o meu pai adquiriu uma no Magazine Luiza. Era moleque e lembro que vinha com a minha mãe no curso para aprender. Enquanto ela tinha aula, eu ficava sentado ali na porta principal da loja esperando, mal imaginava que um dia estaria aqui trabalhando. Comércio - Se o senhor não fosse padre, que profissão teria seguido? Padre José Geraldo - Nunca senti o desejo de abandonar o sacerdócio, mas antes sempre falava, não sei se por influência dos meus colegas, muitos hoje são médicos, que caso não fosse padre eu seria médico, mas a tendência nunca foi para esse lado. Sempre quis ser padre, médico era uma segunda opção, nem sei se teria inteligência suficiente para isso. Comércio - Ser pároco da Catedral traz um status e uma responsabilidade maior? Padre José Geraldo - A Catedral é a igreja mãe da Diocese e por isso tem algumas atividades que não acontecem em outras paróquias. Ela tem que seguir como um modelo nas observações das leis canônicas, das orientações da Diocese. Claro, é um peso, uma responsabilidade a mais, mas não é motivo de orgulho, nem de vaidade pessoal. Sair da Menino Jesus para assumir a Catedral foi como mudar de função, tudo ocorreu naturalmente. Coloquei e sempre coloco Deus à frente, Ele completa o que eu não consigo fazer. Comércio - O senhor é muito criticado por algumas atitudes durante as missas e casamentos, como chamar a atenção de um fotógrafo na frente de todos. O título de durão o incomoda? Como o senhor responde a essas críticas? Padre José Geraldo - Não sou um padre durão. Temos algumas orientações dentro da Diocese que precisam ser observadas a partir da Catedral. Então essas normas que existem tanto diocesanas, como canônicas, são rotuladas como atitudes duras às vezes por parte do padre quando as pessoas não compreendem o sentido daquilo que querem ultrapassar o limite. A Igreja não tem normas que sejam tão fechadas a ponto que não exista diálogo, mas tem algumas coisas que precisam ser respeitadas. Mas tudo que tem uma boa conversa é resolvido, não chegamos a agressão nunca. Se erro, paro, escuto e peço perdão.

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