A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) estão retardando a aprovação e entrada em funcionamento de um projeto de comercialização de produtos por assentados da Fazenda Boa Sorte, em Restinga. Os agricultores são ligados ao MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra).
São 101 famílias que aderiram ao programa Compra Antecipada, que prevê a comercialização de produtos do tipo horti-fruti, plantados nos lotes do assentamento. Os assentados, após a aprovação do projeto, doariam produtos a instituições e entidades cadastradas pelas prefeituras locais. Atestada a doação, a entidade fornece um comprovante que é enviado ao Incra, que repassaria aos produtores o pagamento pela produção. Nessa equação, quem entra com o dinheiro é a Conab, empresa pública ligada ao Ministério da Agricultura. Acontece que nem o órgão nem o Incra sabem quando as verbas necessárias à implementação do projeto serão liberadas.
No sábado, em um evento marcado para comemorar os 10 anos do MLST nacional, técnicos do Incra que participaram do encontro não sabiam do trâmite para que os assentados pudessem começar a receber pela produção. A informação é de que a análise está parada na Conab. De acordo com Vilmar Silva, um dos coordenadores do assentamento, não há como prever qual será a renda das 101 famílias assim que o projeto começar a funcionar. Hoje, afirmou, algumas obtêm rendimento de até R$ 1 mil. O café também já começa a ser explorado dentro do assentamento. “A previsão é que cada família alcance até R$ 3,5 mil por ano com a produção de frutas e verduras”, disse Silva.
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