Esculturas de papel machê enfeitam Batatais


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Quem passa pela praça da Igreja Matriz de Batatais fica surpreso ao ver nas janelas de um casarão verde “pessoas” que ora observam a movimentação das ruas, ora escalam paredes ou se penduram nas esquadrias. As tais “pessoas” são na realidade esculturas de papel machê, resultado do trabalho da mais nova oficina que a ONG (Organização Não-Governamental) “José Lazzarini” implantou em sua grade de atividades. Os artistas plásticos Débora de Paula e Júnior Vasconcellos, oriundos de Conceição de Ibitipoca (MG), espalharam pela cidade uma série de esculturas temáticas. Os personagens atentos e curiosos do casarão verde, uma das unidades da ONG, são representações do Lobo Mau, de Chapeuzinho Vermelho e até de Cícero, Heitor e Prático - os Três Porquinhos -, clássicos da literatura infantil. Utilizando garrafas de refrigerante pet e uma mistura de cola com papel higiênico - o papel machê -, os artistas esculpiram personagens da história do Brasil, da formação sóciocultural do município, alguns retirados das telas de Portinari. “Não acredito que são de papel!”. A frase é da estudante de biomedicina Taila Renata Andrade e expressa a admiração e surpresa comuns à maioria das pessoas que observam as esculturas. “Parece de gesso ou de cera. Quem fez é artista de verdade”, afirmou a costureira Luiza Siqueira. A oficina é apenas uma das muitas atividades da ONG criada em Batatais há sete anos com o intuito de tirar adolescentes da marginalização social. Com mais de 30 funcionários, a entidade atende hoje mais de cem crianças e adolescentes provenientes de famílias de baixa renda ou em situação de risco social ou pessoal e jovens em LA (Liberdade Assistida). Alguns alunos, após concluírem os cursos oferecidos na instituição, como marcenaria, confeitaria, panificação e pintura, passam a exercer a profissão aprendida. Alguns são remunerados por meio de uma “bolsa-aprendizagem”. Outros recebem a “bolsa-educação”, uma ajuda de custo que varia de acordo com as horas trabalhadas - entre meio e um salário mínimo. Para manter o atendimento, a fundação promove campanhas de arrecadação, eventos beneficentes, recebe doações e subvenções da Prefeitura de Batatais e da Secretaria de Assistência Social do Estado. Entre os gastos estão despesas com os salários dos funcionários, com as bolsas de ajuda aos adolescentes e com os aluguéis de seis prédios que abrigam os diversos setores da entidade. PORTA-LUVAS O sucesso das esculturas é tanto que a sexta edição da revista cultural Porta-Luvas, distribuída em praças de pedágios do interior paulista e para bibliotecas de todo o Brasil, traz matéria especial sobre os artistas mineiros e sua arte em papel machê. Aprovada pelo MinC (Ministério da Cultura) e com incentivo da Lei Rouanet, a Porta-Luvas é distribuída gratuitamente aos usuários em 23 praças de pedágio, abrangendo 55 municípios do interior do Estado de São Paulo, e tem tiragem de 180 mil exemplares.

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