Se você é observador, detalhista, gosta de criar e se expressar por meio de desenhos, esculturas ou gravuras, você tem tudo para ser um artista plástico de sucesso e quem sabe alcançar a notoriedade de Michelangelo ou Leonardo Da Vinci no futuro. Pouco conhecida dos jovens, a carreira de Artes Plásticas trata, principalmente, da expressão do homem e de seus sentimentos em diversas formas. Pode ser uma pintura em uma tela, na parede ou até mesmo no chão ou escultura de um objeto ou uma pessoa em argila ou gesso. Não importa. O interessante é a manifestar a capacidade humana de criar.
A principal vantagem desta profissão é a liberdade. O artista plástico dificilmente tem um horário fixo de trabalho, ele cria conforme ocorre a inspiração, também não costuma ter chefes ou que cumprir ordens. O problema é que a função não é reconhecida e ganhar dinheiro no ramo é muito difícil. “Infelizmente vivemos num país que ainda não tem um nível cultural avançado. Não existe um apoio do governo e faltam recursos”, lamenta Geraldo Lara, professor de artes plásticas há seis anos na Unifran (Universidade de Franca).
O campo de trabalho é bem amplo. Assim que o profissional se forma em Artes ou sente que está preparado para começar a atuar na área, pode montar um ateliê, trabalhar em museus, ser ilustrador ou até chargista de jornal ou revista. “Depende muito daquilo com que cada pessoa se identifica. Tenho alunos que, em dois meses de curso, já desenham auto-retratos perfeitamente. Ele pode atuar em qualquer coisa que precise de ilustração ou arte”.
Lara diz que não é necessário ter dom. “O que ele pode ter é uma prédisposição para as artes, mas, mesmo que não a tenha, se se exercitar bastante também poderá ser um bom artista plástico”, disse.
Por ser uma área com várias campos de atuação e qualidades muito específicas de cada profissional, o salário de um artista varia muito. “Se tiver reconhecimento público, é possível vender um quadro por até R$ 7 mil, mas isso é raro”. O mais comum mesmo é o artista ter de batalhar seu espaço em feiras para expor seus trabalhos e nem sempre alcançar a remuneração esperada. O campo mais estável é mesmo o de ilustrador ou chargista, em que um profissional ganha em média até R$ 1 mil por mês.
Descobrir um trunfo diferente também é uma boa alternativa para driblar a carteira vazia. O artista plástico Wellington Veríssimo garante que essa técnica dá certo. “É sempre bom buscar coisas novas. Estou na fase da pintura corporal e está sendo ótimo para mim”, disse. Mas a rotina do artista não é fácil. Ele não tem hora para trabalhar nem para comer. “Assim que a pessoa olha para alguma coisa, enxerga algo a mais e a reproduz através da pintura ou de outro material, ele está atuando. Eu, por exemplo, fico muitas vezes sem me alimentar por muito tempo e minha postura não fica de forma correta”, disse, sem revelar o quanto costuma lucrar por mês.
A maioria das pessoas que procura esta área para trabalhar é do sexo feminino. A estudante Fabíola Ribeiro, 24, está no terceiro e último ano no curso de artes plásticas na Unifran e ainda não trabalha na área, mas sonha ser professora. “Quero ensinar outras pessoas a pintar”, revela. A jovem admite que, quando está esculpindo ou desenhando, além de praticar e treinar, se desliga do mundo. “É como se fosse uma terapia. Esqueço dos problemas e fico bem calminha”.
A publicitária Karina Gera, 26, conhece bem a rotina de um artista. Ela se dedica profissionalmente às artes há dois anos. “Pintei minha primeira tela com 7 anos”, se lembra. Apesar de muitas telas demorarem semanas para ficar prontas, alguns trabalhos podem terminar em uma semana. “Acho que já pintei 70 telas”, diz Karina logo lembrando que não é fácil para o artista ser valorizado. “O mercado é complicado”. Todos sábados, das 9 às 13 horas, Karina e outros seis artistas fazem exposições em frente à Pinacoteca. Lá é possível encontrar telas de vários tamanhos e preços - os trabalhos podem custar de R$ 80 a R$ 1 mil, segundo Karina. Os artistas que quiserem expor seus trabalhos devem procurar a direção da Pinacoteca.
SEJA UM ARTISTA PLÁSTICO
Não é necessário ter o diploma em mãos para trabalhar como artista plástico, mas, se a pessoa quiser se aperfeiçoar e ter uma formação, pode fazer cursos em instituições de ensino superior ou de artes.
Na Unifran, são abertas, por ano, 60 vagas para o curso de artes plásticas - Educação Artística para o período noturno. A duração do curso é de três anos e a mensalidade é de R$ 415. Ao concluir, a pessoa tem direito de fazer pós-graduação e dar aulas em escolas da rede pública e privada, instituições culturais e galerias.
Na Escola de Artes W Veríssimo, as mensalidades custam a partir de R$ 78. “Depende do que o aluno quer aprender. Se for curso de desenho, é R$ 78, mas se for pintura a óleo, é R$ 118. As aulas são dadas, uma vez por semana, durante três horas”, disse Wellington Veríssimo, artista plástico. A escola fica na Rua General Carneiro, 1249, Centro.
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